Produtores e fumicultores protestam em frente à Celesc de Mafra

Publicado por Gazeta de Riomafra - 23/01/2014 - 22h44

Na última segunda-feira, dia 20, fumicultores e produtores de leite do planalto norte se reuniram na frente da sede da Companhia Elétrica de Santa Catarina (Celesc), em Mafra, para realizar uma manifestação. O objetivo do protesto era chamar atenção para as constantes quedas de energia que tem atingido grande parte dos municípios que compõem o planalto norte. A falta de energia teria causado inúmeros prejuízos para diversos produtores rurais. Mesmo se tratando de um problema antigo, ainda não foi resolvido “faz quatro anos que nos estamos revindicando e colocando a situação insuportável que a agricultura estava vivendo principalmente no verão, quando a fumo cultura consome muita energia. Desde 2008 nós estamos enfrentando quedas frequentes de energia, houve promessas de melhoras, que não foram cumpridas, o consumo de energia está aumentando, a potência é a mesma, e nós estamos com problemas” – disse Camilo Lelis Machado, presidente do sindicato dos trabalhadores rurais de Mafra e região.

Durante a manifestação a rua Felipe Schmidt foi bloqueada, os produtores espalharam folhas de fumo e leite por toda a via, próximo do meio dia terminou a reunião entre a Celesc e membros da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Santa Catarina – FETAESC.

Pautas debatidas durante a reunião

Segundo o assessor de planejamento da FETAESC, Irineu Berezanski, inúmeras reivindicações foram apresentadas durante a reunião, “nós estávamos reunido para revindicar duas coisas, o ressarcimentos dos prejuízos até aqui, pois esse problema de falta e energia já vem em longo prazo, e a outra pauta seria a preocupação dos produtores com a safra de 2014, porque a previsão do inicio de operação da subestação em Papanduva e a entrega dessa obra segundo a Celesc é outubro de 2014, ou seja, como é que vai ficar a agricultura da região, a produção leiteira a colheita até lá? Como é que vai ficar a safra do planalto norte se a Celesc não tem garantias de fornecimento até outubro de 2014?”- disse.

Foi solicitado também a criação de uma comissão dentro da Celesc para analisar as perdas dos produtores devido à queda no fornecimento de energia. Segundo Irineu, vários produtores já estão entrando com ações judiciais contra a Celesc: “a gente quer que se crie essa comissão para averiguar esses prejuízos, nós sabemos que a Celesc é uma empresa pública, vai ter que ir para o jurídico, só que indo para o jurídico com acerto dessa comissão tramita mais fácil na justiça”- assegurou.

Outra pauta debatida seria um plano emergencial ainda para 2014, a Fetaesc propõe que a Celesc compre geradores para suprir a falta de energia, “nós queremos que a Celesc forneça geradores para as propriedades afetas pela falta de energia, seria um plano emergencial semelhante que a Casan tem em Santa Catarina, é o chamado plano B, a gente questiona se tem tudo isso? cadê o plano B? A Celesc tem um plano B?” – questiona. Irineu afirma que em Itaiópolis produtores já se preparam para a falta de energia, comprando geradores, um estabelecimento na cidade chegou a vender 300 unidades. “A Celesc é quem deveria pagar esses geradores” – concluiu

O tal plano B seria uma alternativa para os produtores que mais um ano somam prejuízos, a utilização de geradores seria uma válvula de escape para a rede elétrica que abastece o planalto norte “o coordenador afirmou que a rede no planalto norte não é uma rede segura, ou seja, não é uma rede confiável ela pode ter vários problemas” – afirmou.

O maior problema seria as redes baixas que facilmente poderiam ser atingidas por galhos de árvores e isso acabaria desligando todo o sistema “caiu um galho, caiu uma folha, a Celesc diz que cai a energia, com a rede nova os postes serão mais altos, ou seja, as árvores não vão ter alcance, e a grossura dos fios também vai mudar o que vai deixar o sistema mais robusto e confiável, só que isso é para outubro e como é que fica até lá?” – questionou.

Entre as conquistas da manifestação, Irineu destaca: “duas coisa a gente pediu, além desses encaminhamentos, a primeira, que o presidente da Celesc receba uma comitiva de agricultores, lideranças sindical no próximo dia 23 quinta feira em Canoinhas”- disse.

O presidente da Celesc, Cleverson Siewert, confirmou sua presença na reunião, foi essa decisão que pôs fim a manifestação da ultima segunda feira. Os agricultores esperam que o presidente da Celesc de um parecer sobre aquilo que lhe foi encaminhado.

O que causou os apagões

Segundo o chefe regional da Celesc, Marcos Antonio Rauen, as quedas de energia seriam causadas por inúmeros fatores: “estamos procurando fazer as pessoas entenderem que o sistema elétrico em todo o território nacional é um sistema com certo grau de vulnerabilidade, então ele tem lá seus calcanhares de Aquiles, e nesse conjunto do ano principalmente, ele é muito exigido, se for analisar é um período a partir do mês de novembro que tem uma chamada sazonalidade, é um período onde o sistema de refrigeração de empresas e de particulares é muito utilizado, e o sistema dos fumicultores as estufas elétricas, é um momento em que o sistema elétrico é muito exigido, paralelamente a isso nós temos enfrentado em Santa Catarina algumas adversidades climáticas, na nossa região tem dado muito vendaval muitas descargas atmosféricas, muitas chuvas seguidas de ventos fortes, isso acaba trazendo muitos problemas para nós, o que mais tem impactado são as chamados problemas com a vegetação na rede” – disse Marcos.

Marcos alega que a Celesc investe 800 mil em corte de árvores e manutenção para evitar que a vegetação obstrua o fornecimento de energia. A vegetação ao qual o presidente da Celesc atribui às quedas de energia seria uma “vegetação exótica”, localizada fora da faixa dos 6 metros, geralmente em propriedades particulares, “a Celesc não possui condição legal para fazer a limpeza dessa vegetação e como são árvores de grande porte, acabam caindo sobre a rede, e mesmo não caindo, estando em uma distância além da faixa, os galhos e as cascas caem em cima da rede, caem ali na cruzeta ou no cabo, se deslocam e promovem uma conexão entre a cruzeta e o cabo assim acaba criando uma faze terra e da um curto circuito. Qualquer curto circuito na rede elétrica aciona um equipamento de proteção que desliga a rede – explicou.

De imediato para solucionar esses problemas, sete equipes adicionais foram contratadas para reforçar o atendimento. A chamada operação apoio técnico realizada no planalto norte tem o custo de operação em torno de R$ 720 mil.

Sobre Carga

A Celesc afirma que não possui um cadastro com o número correto de estufas de fumicultores e que alguns problemas de infraestrutura acabam contribuindo com a queda de energia: “a companhia está incentivando o pessoal que venham fazer um cadastro na empresa e declarar as claras as estufas que eles estão adquirindo, porque a carga de uma estufa isoladamente não é problema, como são duas três, e os vizinhos todas no mesmo circuito, muitas vezes pode sobrecarregar a rede a situação piora pois os sistemas são monofásicos, o ideal seria que eles fossem trifásicos” – disse.

Marcos alega que a Celesc está em tratativas com o governo para que eles transformem esse sistema, pois existe uma resolução da ANEEL, número 414, onde define que para o aumento de carga, se tenha uma participação financeira do consumidor. “O consumidor não quer gastar ou não pode, o nosso propósito é conseguir com o governo para que não gere mais esse custo para e assim a gente possa fazer esse trabalho de transformação”- disse.

Marcos afirma que com um planejamento é possível controlar as quedas de energia “é necessário incentivar o pessoal a abrir uma empresa e se cadastre, porque só assim se pode saber os consumidores que estão ligados naquele circuito, qual é a carga, para que se possa adequar o sistema em tempo hábil” – explicou.

O outro lado da moeda

Segundo Irineu Berezanski, a justificativa sobre uma possível sobrecarga é uma desculpa dada pela Celesc para se ausentar de qualquer responsabilidade. Irineu afirma que ano passado foi fito um levantamento dessa demanda de energia e de geradores: “nós em conjunto com os sindicatos dos trabalhadores rurais também com as Prefeituras da região e com as empresas e indústrias de tabaco, que atuam na região, fizemos esse levantamento e oficializamos para a Celesc e também para o governo do estado, portanto a Celesc é sabedora dessa demanda, inclusive nos prometeram que haveria um subsidio caso essa demanda não fosse atendida, subsidio na compra de geradores, nós estamos esperando até hoje. Quem comprou gerador, teve que pagar do próprio bolso – disse.

Pondo fim a questão

A agência de Mafra é a segunda maior regional do estado em termos de área de atendimento, na agência atendemos Itaiopolis, Papanduva, Monte Castelo, Major Vieira, Santa Teresinha, Canoinhas, Bela Vista do Toldo, e Porto União, mais Rio Negro Paraná, da um total de 12 municípios equivale a 10% do território Catarinense.

Ao todo o planalto norte catarinense congrega 4% do total de consumidores de todo o estado de Santa Catarina o que equivale a 2.6 milhões de unidades consumidoras.

Em 2014 serão investidos R$ 36 milhões para melhorar a infraestrutura da rede elétrica da região “serão investidos 30 milhões em uma subestação em Papanduvas, e em uma rede de alta tensão com cerca de 40 km, e mais R$ 6 milhões previsto para um estação de média tensão de 34 kv`s que vai atender Lineopolis e Bela Vista do Campo.

Os investimentos correspondem a 20% do investimento previsto para todo o estado em 2014, algumas obras já foram iniciadas, porém logo foram paralizadas. Marcos Rauen, explicou o porquê das obras da subastação e da linha de alta tensão terem sido paralisadas “a obra da linha de alta tensão foi paralisada em fevereiro de 2013, iniciada em 2012, a obra ficou paralisada por um ano em razão de estar aguardando uma licença do IPHAM, quando a paralisação ocorreu, a obra já estava quase 60% construída, ela atinge um total de 40 km foi finalizado 37,7 KM, são estrutura de 138 mil volts, ou 138 KVS que dão uma linha de transmissão de alta tensão”.

Já a subestação estava no aguardo de uma licença da Fatma, (Fundação do Meio Ambiente) que deveria sair no dia 15. “Tal documento iria levar mais de um mês para ser liberada pela Fatma, ai eu acredito que houve um empenho das autoridades envolvidas e do próprio governo do estado e da Fatma, então a licença foi concedida”.

E se nada for feito

Casados de esperar e de não verem a promessas serem cumpridas os agricultores, fumageiros e produtores de leites alegam que se caso revindicações não sejam atendidas, medidas serão tomadas: “a Festaesc está decida que nós não precisamos mais de reunião, não precisamos mais de envio de papel, o que nós precisamos é que o governo juntamente com a Celesc arregace as mangas e entre em ação, resolva o problema. Se os problemas continuarem nós vamos mover um ação popular de cobranças dos prejuízos e faremos mais mobilizações em toda a região, juntamente com agricultores e empresários. Vamos para cima do governo para que ele disponibilize essa tranquilidade para essa região” – garantiu Irineu.

Dia 23 nós teremos uma reunião com o presidente da Celesc onde ele deve dar uma resposta concisa caso contrário nos vamos para a rua” – finalizou.

Mais de 800 pessoas participaram do movimento

Produtor Celmo Fernandes de Lara, da Vila Grein, mais um prejudicado com a queda de energia

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3 comentários publicados
  1. Adri

    Quem, inocentemente pensa que será melhor privatizar as empresas públicas, certamente nunca precisou de nenhum serviço telefonico após a privatização da Telesc, ou não viu recentemente notícias sobre a falta de energia onde a Light no Rio de Janeiro, é empresa privada, por exemplo.

  2. JANIO

    SÃO VERGONHOSAS AS JUSTIFICATIVAS DESSA INCOMPETENTE CELESC, CONSIDERADA A PIOR EMPRESA DE ENERGIA ELETRICA DO BRASIL. A CELESC JUNTAMENTE COM A CASAN E MAIS AS SECRETARIAS REGIONAIS SÃO OS MAIORES CABIDES DE EMPREGO. CADÊ O SECRETARIO REGIONAL DE MAFRA ???

    EXISTE SOMENTE UMA MANEIRA DE RESOLVER TUDO ISSO, VAMOS EXIGIR A PRIVATIZAÇÃO URGENTE DA CELESC E DA CASAN

  3. JOERNY

    A desculpa mais esfarrapada da Celesc foi:
    Sobre Carga
    A Celesc afirma que não possui um cadastro com o número correto de estufas de fumicultores e que alguns problemas de infraestrutura acabam contribuindo com a queda de energia
    Como que não possui um cadastro se manda a fatura de energia para todos???
    Só alguns problemas de infraestrutura?????
    Lembrar não é pecado. No litoral faltava muita energia em temporada de veraneio, ultimamente dizem que não tem faltado muito. Será que não estariam desviando energia para aquela região em detrimento do planalto norte sempre esquecido pelos governos estaduais???

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