
O presidente do Legislativo Rionegremse, Rodrigo Gondro, anfitrionou na noite de quarta-feira os representantes da COMPAGÁS (Luciano Pizatto) e da SC/Gás (Cosme Polêse, os prefeitos de Rio Negro e Mafra, Milton Paizani e Roberto Agenor Scholze, respectivamente; os vereadores de Rio Negro, representantes de Entidades, empresários e demais convidados. Apenas os vereadores de Mafra, devidamente convidados, não compareceram à audiência.
O primeiro a se manifestar foi o representante da COMPAGÁS, o ex-deputado Luciano Pizatto. Citando a viabilidade de Rio Negro vir a ter o gás natural, enfatizou que “só é possível através da união e integração”.
Ele falou sobre investimentos da Companhia em todo o Paraná, afirmando que onde o gás natural foi implantado houve o desenvolvimento das regiões, destacando que já se iniciou um gasoduto com investimentos na ordem de R$ 90 milhões. “O gasoduto até Fazenda Rio Grande deve estar concluído em aproximadamente quatro meses”, discorreu.
Para o diretor da COMPAGÁS, construir um gasoduto não é problema, a Companhia quer investir e tem condições para isso. “O problema é: vocês têm consumo”? De acordo com ele, o ideal é começara criar uma demanda, começando-se com o ar comprimido, num consumo médio de 07 mil m³/dia e aí, então, buscar novas indústrias. “É preciso arriscar, ter coragem e união”, salientou.
Pizatto citou que hoje a tecnologia permite a extração de gás do lixo reciclável e biodegradável, o biogás/biometano. “Se comprovado alto índice de lixo colhido por ambos os municípios, nós mesmos indicaremos uma empresa que instalará uma Usina de Gás, inclusive acabando com o problema do lixo e nós mesmos estaremos comprando o gás aqui das cidades”, apontou.
Outra alternativa proposta pelo representante da COMPAGÁS foi a implantação de um posto GNV no Município. Citando que para vir de Curitiba a Rio Negro gastou apenas R$ 22 em gás, ao contrário de cerca de R$ 80 que gastaria em combustível, demonstrando a economia, afirmou que se ao menos 200 veículos fossem transformados a gás, o posto GNV estaria viabilizado a funcionar.
Se houver demanda para o uso do gás natural, Pizatto citou três alternativas de fazer o mesmo chegar até Rio Negro:
– De Fazenda Rio Grande a Mandirituba, Campo do Tenente e daí Rio Negro;
– Trazer o produto de um gasoduto de Santa Catarina, que não fica longe; e
– O governador determinou um gasoduto de Curitiba a Lapa, desta a São Mateus do Sul. “Na Lapa, uma indústria de papel, grande, vai utilizar o gás natural e será construída bem próxima de Campo do Tenente, de onde então o gasoduto poderia ser estendido até aqui”, colocou, lembrando, mais uma vez, que para isso é necessário haver consumo que viabilize os investimentos, neste caso, na ordem de R$ 60 milhões.
SCGás se diz disposta a lutar junto pela conquista
Cosme Polêse, diretor da SCGás, citou que o gás natural é ainda muito pouco conhecido da sociedade, “mas é uma ferramenta de desenvolvimento que, onde chega, promove e alavanca esse desenvolvimento”. Segundo ele, “precisamos trabalhar fortemente juntos para essa alavanca chegar onde deveria estar”.
Cosme lembrou que o gás natural está presente em 60 cidades catarinenses, mas o Norte e Oeste ainda estão desprovidos deste atendimento. “O Paraná e Santa Catarina querem ampliar o suprimento de gás, ampliar a capacidade de suprimento pela BRABOL”.
Ainda destacou que é preciso que as autoridades olhem para a região sul visando o desenvolvimento, aumentando a quantidade do gás natural.
Lembrando que de Rio Negrinho não é possível trazer o gás até Mafra, porque a bitola do gasoduto está muito fina, Cosme destacou que já está projetado, pelo menos, o Gasoduto do Chimarrão, que iria atender o Oeste Paranaense, Catarinense e Riograndense. “O ideal, ainda, é a ligação entre Araucária a Rio Negro e Mafra, como canal de ligação para que o gás chegue a outras regiões de SC e RS”, disse.
Associação Empresarial de Mafra também busca alternativas para o gás natural
De acordo com o representante da Associação Empresarial de Mafra, as conversações sobre a vinda do gás natural ao Município já vêm de 15 a 20 anos, “mas muito pouco se evoluiu de lá para cá”.
Destacando que o Conselho de Desenvolvimento de Mafra se prontifica em ajudar a levantar a demanda, apontando que Mafra necessitaria ao menos 20 km de rede de gás. “Tenho certeza de que todas as Entidades de Riomafra estão dispostas a colaborar com esse projeto”, finalizou.
Prós e contras são apresentados pela FIEP
O engenheiro Edson Guenther – coordenador das Indústrias do Estado do Paraná em Rio Negro ressaltou a riqueza de detalhes técnicos e os enormes benefícios e perspectivas de desenvolvimento advindos da implantação do Gasoduto, não apenas, para os Municípios de Rio Negro e Mafra, mas para a Região como um todo, por meio das informações que foram apresentadas pelos Diretores Presidentes da Compagás Paraná e SCGás.
Ele apresentou o resultado da pesquisa feita pelas duas Entidades em sua base de abrangência, destacando que todas as empresas foram categóricas em afirmar seu posicionamento favorável à implantação do referido gasoduto, que irá trazer à Região um insumo energético de altíssimo valor agregado à produção industrial. Porém, registrou que nenhuma das empresas consultadas, que se pronunciaram formalmente, apresentou ou demonstraram interesse imediato na utilização do gás em seu processo de industrialização instalado, deixando sim, em aberta, a possibilidade e necessidade de após apresentação de custos finais do insumo a ser fornecido, elaborarem seus estudos de viabilidade para transformação dos Sistemas de Produção com a utilização do gás natural.
Disse o engenheiro que apesar de seu posicionamento incontestável e favorável à implantação do gasoduto na nossa Cidade, face aos benefícios e possibilidades de desenvolvimento da Região, demonstra sua preocupação como representante das Indústrias da região em assumir formalmente qualquer compromisso de comprometimento sem antes ter conhecimento de algumas informações como, por exemplo: a capacidade instalada que estará disponível às empresas, bem como, suas garantias de suprimento nos próximos 20 ou 30 anos; se haverão variações de consumo; e principalmente, o que todo empresário precisa saber, qual será o Valor Final de entrega do Insumo previsto (na porta de sua Indústria). “Essas respostas serão determinantes para a análise e determinação de investimentos na transformação dos processos de industrialização, visando ou não, a utilização deste combustível”, apontou.
Considerando o relato feito pelo Sr. Cósme de que a única alternativa para expansão do fornecimento do insumo ao Sul do Estado de Santa Catarina e Rio Grande do Sul será através da inversão do fornecimento pela rede que hoje atende o Município de Rio Negrinho, com a instalação desta interligação que hora está se buscando implantar, entende-se que aí sim, se terá a Demanda garantida e necessária à viabilidade de implantação da Rede. “Fato este que acreditamos ser o que irá nortear todos os esforços conjuntos a serem empreendidos numa ação conjunta entre representantes do Setor Empresarial, Setor Público, Políticos e Comunidade como um todo, pois, com certeza, todos serão beneficiados com o progresso e desenvolvimento regional, advindo da utilização de um Insumo Energético Limpo dos mais recomendáveis às questões ambientais”.
Em seguida, fez alguns questionamentos técnicos quanto à limitação de fornecimento devido à bitola da tubulação existente, que como foi relatado inicia com 48”(polegadas) saindo da Bolívia (BRABOL) e que provavelmente chegará em nossa cidade através de um duto com apenas 12”(polegadas), solicitando além dos esclarecimentos técnicos, o comprometimento dos fornecedores de que o produto terá seu fornecimento garantido para que após análise de viabilidade dos investimentos a serem feitos no seu processo de industrialização, não sofram com fatos inesperados, à exemplo de impossibilidade de fornecimento do insumo necessário devido o estrangulamento da rede, aumento excessivo do preço do insumo, embargos no fornecimento devido à problemas políticos, etc.
Associação Comercial e Industrial de Rio Negro também defende o gás natural
O presidente da ACI de Rio Negro, Gean Carlos Perreto, em rápidas palavras demonstrou apoio ao projeto de extensão do gás natural até a cidade. “Vemos a implantação do gasoduto como fonte de desenvolvimento, porém necessitando de investimentos, mas se comprovado menor preço que outros insumos, é totalmente viável”.
Nesse interin Cosme Polêso destacou que o gás sempre será competitivo, mais barato que a eletricidade, gasolina, álcool etc, hoje somente perdendo para a madeira – ressaltando, no entanto, que com a diminuição da oferta desta, certamente em alguns anos o preço será bem maior.
Prefeito de Mafra também manifesta interesse
Lembrando que exerce também a função de presidente da Associação dos Municípios do Planalto Norte, o alcaide mafrense Roberto Agenor Scholze disse que atua com dez municípios que estão desenvolvendo um projeto de crescimento e fortalecimento conjunto, deixando-se de lado o bairrismo.
Ele lembrou que Mafra perdeu empresas já instaladas e a vinda de outras, justamente pela falta do gás natural e disse que todos os dez municípios da Associação demonstram interesse no gasoduto.
Paizani destaca o desenvolvimento
“Quem pensa em crescimento e desenvolvimento pensa como nós, políticos, num projeto que viabilize o fortalecimento e crescimento de Riomafra e região”, disparou Milton Paizani, prefeito de Rio Negro.
Ele disse ter certeza de que o pleito da rede de gás natural chegará para Riomafra, que considera uma única cidade, mesmo que haja o problema do gasoduto atravessar o rio Negro, o que depende de autorização Federal.
Roberto Agenor disse que irá agendar encontro em Brasília, para que os dois prefeitos e os representantes da COMPAGÁS e SCGás possam solicitar apoio do Governo Federal.
Considerando que o debate foi de alto nível, Paizani enfatizou que “um projeto futurista como esse do Gasoduto, tem todo apoio e nós vamos defender sempre”.
Gondro diz que resultado foi positivo
O presidente do Legislativo de Rio Negro, Rodrigo Gondro, avaliou como bastante produtiva a Audiência Pública realizada. “Mostramos que nossos empresários estão prontos para a utilização de uma nova tecnologia, a do gás natural, que proporcionará maior qualidade na produção e aumentará os índices de competitividade dos produtos rionegrenses, oportunizando mais empregos e geração de renda. Agora é só nos unir e arregaçar as mangas e partir em busca desse objetivo que é de todos, ou da maioria”, concluiu.
