DIREITO DE IR E VIR: Agricultores voltam a Câmara para repudiar as más condições das estradas do interior de Mafra

Publicado por Gazeta de Riomafra - 06/02/2015 - 04h04

A sessão da Câmara de Vereadores de Mafra desta terça-feira (3) vai ficar na história da casa de leis, por conta dos agricultores que usaram a tribuna quanto pelos que estavam acompanhando a sessão.

Diferente do que alguns achavam, a sessão e o uso da tribuna foi tranquilo, o espaço foi usado apenas para desabafo dos trabalhadores do campo que ajudam nossa cidade prosperar. O assunto ainda continua o mesmo: a falta de trafegabilidade nas estradas do interior, somada a falta de compromisso do executivo municipal em fazer as obras de recuperação das estradas.

Antes de começar a reunião nossa equipe de reportagem conversou com alguns agricultores da localidade do Bituvinha – Rio da Areia de Baixo, de Cima, e do Meio, Ãguas Claras, Bituva Grande e Bituva Papuã -, que na semana passada protagonizou mais uma manifestação por melhorias nas vias do interior, quando fecharam por três dias a estrada principal da localidade. Nossa equipe perguntou se as obras realmente haviam iniciado como o secretário de Obras, Carlos Augusto de Oliveira, havia falado. Um agricultor respondeu que as pedras estão sendo colocadas devagar e onde a patrola já passou com essas chuvas está um lamaçal. “Amanhã (hoje), iremos fazer uma reunião para decidir se voltamos a fechar a estrada novamente ou não, pois o serviço está muito lentoâ€, falou o agricultor pedindo para que o nome dele fosse preservado. Segundo os produtores rurais a Prefeitura apenas agora, começando a recuperar, apenas a estrada principal e ainda não começaram as trabalhar nas estradas vicinais que levam as micro comunidades da localidade. “Não sei como vai ser semana que vem quando voltar as aulasâ€, desabafou um agricultor se referindo as más condições das estradas preocupado com o início do ano letivo, explicando que não vai ter como os ônibus do transporte escolar circular pela região.

Uso da tribuna

O primeiro a usar a tribuna foi o veterinário Christian Breir, da Cabanha Oca, morador da localidade de Bituva Grande, e como ele mesmo falou, deve ser o último morador de Mafra, pois mora na divisa entre Mafra e Rio Negrinho. Christian, que representou os moradores da localidade do Bituvinha, explicou os motivos que levaram os produtores rurais daquela região a fazerem o protesto, que não poderia ser outro a não ser as condições das estradas. “Queremos apenas o direito de ir e virâ€, foi à frase usada por Christian no início da sua fala na tribuna.

O veterinário que também é produtor rural falou que neste ano Mafra terá uma super safra e que devido ao descaso nos últimos dois anos da Prefeitura quanto a manutenção das estradas eles não sabem como vão escoar o que produziram. “Queria estar aqui discutindo melhorias para saúde e educação, mas precisamos ir e virâ€, desabafou. Quando questionado pelos vereadores se a manifestação tem cunho político como a Prefeitura vem divulgado, o veterinário foi enfático em rebater a insinuação, afirmando que não se trará de movimento político e que os produtores querem apenas poder escoar a safra tranquilamente pelas estradas. “De forma alguma temos intenção política, nossa preocupação é com as estradas. Os produtores só querem as melhorias nas estradasâ€, respondeu aos vereadores. Christian encerrou a sua fala lembrando que a colheita começará em trinta dias e que os trabalhos de recuperação das estradas precisam ser feitos mais rápidos. Avisou ainda que o movimento deles não é isolado, “Preciso avisar que nosso ato não é isolado, já teve o tratoraço 1, e sabemos que tem criadores de aves passando pelo mesmo problema que o nossoâ€, comentou.

O agricultor Marcos Eckel, um dos líderes do movimento ‘Tratoraço’, usou a tribuna em seguida e começou cobrando os vereadores pelo atraso em começar a sessão. A sessão deveria ter começado às 19h como determina o regimento, mas demorou cerca de trinta minutos para começar devido a uma reunião entre os vereadores.

Marcos utilizou o espaço para se defender de ataques que vem sofrendo do executivo municipal, através de um jornal, que segundo ele, alinha seu editorial com as posições da Prefeitura Municipal. O agricultor leu uma carta onde desabafou falando que já esperava ataques do executivo, mas foi surpreendido quando ficou sabendo que um jornal também havia lhe atacado. “Sem terem argumentos contra as reinvindicações que venho fazendo pela má administração deste município, e tentativas frustradas de me desviarem do meu objetivo, começaram com absurdas mentirasâ€, falou se referindo ao prefeito Roberto Agenor Scholze “Eto†(PT) que na semana passada falou que o agricultor Marcos Eckel estava chamando os funcionários da Prefeitura de vagabundos, “Jamais fiz, e tenho a mais plena absoluta certeza que em momento algum eu usei essa palavra ou qualquer outra parecida nesse sentidoâ€, desabafou. Sobre a Prefeitura estar tentando colar a imagem de que o produtor rural Marcos tenha interesse político ele deixou claro que não, “nem filiação em partido eu tenho, acusações que posso provar juridicamenteâ€, falou.

Marcos Eckel não poupou o prefeito Eto em momento algum, cobrando uma postura mais séria ao administrar Mafra “O que me surpreende mais é um prefeito com um grau de estudo elevado com tão pouca criatividade descer a um nível tão baixo para denegrir a imagem de um agricultor que busca uma política honesta e com conteúdo positivo para seu municípioâ€, comentou dizendo não entender como o prefeito pode se aliar a um jornal para tentar desestabilizar ele e o movimento ‘Tratoraço’, “Um prefeito aliar-se a um jornal para falar um monte de mentiras, achando que vai desviar a atenção do povo pelo descaso que vem ocorrendo neste municípioâ€, acrescentou Eckel.

Marcos continuou a usar a palavra destacando que o movimento realizado na localidade do Bituvinha só veio para referendar suas palavras quanto à má administração do município. “Quanto as minhas palavras ásperas que venho usando, são todas verdadeiras e ditas cara a cara e não faladas pelas costas. E digo mais ainda, me dê um motivo para poder falar algo suave, calem a minha boca com obrasâ€, falou cobrando o cumprimento das promessas de campanha, e que o prefeito cumpra a pauta de reinvindicações do movimento.

Sobre os funcionários públicos Marcos falou que observa a falta de comando por parte da atual administração municipal, “O que eu vejo é funcionário público sem direção, sem um líder para direciona-los, precisamos de um prefeito com um compromisso com o povo, um prefeito que tenha capacidade de liderar, que seja humilde em reconhecer as graves falhas que vem acontecendo no seu mandatoâ€, comentou.

Eckel deixou claro que o movimento não irá parar, que continuarão cobrando pelas obras, e para que elas sejam mais rápidas. “Ele (prefeito) disse que não trabalha sob pressão, na verdade esse prefeito não trabalha nem sob pressãoâ€, disse exaltando os resultados que o movimento tem obtido, “Se uma atitude não for tomada de imediato estamos prestes a viver uma revolução popular neste municípioâ€, encerrou Marcos.

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2 comentários publicados
  1. Silvana

    Para um candidato que andava de carroça, quando fazia campanha, as estradas estão de acordo com o padrão FIFA dele…

  2. Pretinho Basico

    Apoio totalmente os agricultores. A exemplo da presidente(PT), o prefeito tambem do PT estão fazendo uma péssima administração. Sou morador de Joinville, mas estou com frequencia em Mafra, pois sou natural daí e acompanho todos os movimentos da prefeitura. Já fui servidor público municipal por 12 anos e é a primeira vez que vejo uma equipe de moradores realizar um protesto reivindicando algum beneficio para a comunidade. Sou solidário ao movimento, embora quase não utilize as estradas do interior. Mas não precisa ir ao interior para comprovar. Basta descer a rua Cap. Joao Bley na Vila Ivete (após o condominio Andaluzia). A rua está intransitavel e olha que lá passa o ônubus da Santa Clara.
    Quando isso vai mudar? Só após o impeachment do prefeito. Mas, quando será?

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