Família de cidadão honorário de Mafra doa documentos históricos

Publicado por Gazeta de Riomafra - 08/04/2013 - 16h00

Recentemente o jornal “Notícias do Diaâ€, de Joinville, publicou matéria sobre o jornalista Abelardo Luiz de Oliveira, falecido em 1990 em Mafra, aos 77 anos de idade. “Famílias costumam guardar documentos e objetos que pertenceram aos seus antepassados. Mas poucos guardam documentos que fazem parte da história de cidades do Norte Catarinense. É o caso do joinvilense Abelardo Luiz de Oliveira, que morreu em 1990 aos 77 anos. Foi ferroviário e jornalista com registro na Associação Brasileira de Imprensa, fundando o “Jornal de Mafra†e “O Noticiário de Fronteiraâ€.†– diz a matéria assinada por Poliana Santos.

Consta da matéria, ainda, que antes disto Abelardo trabalhou em Joinville na tipografia da Diocese durante o bispado de dom Pio de Freitas. Lá, foi publicado o boletim “Tolle Lege†(Toma e Le), que era editado semanalmente. Abelardo guardou a primeira edição, de 1932. No mesmo ano o jornal “Vanguardaâ€, de São Francisco do Sul, foi editado sob a direção de Beneval de Oliveira. O pai de Abelardo, Rodolpho José de Oliveira, colaborou escrevendo para este periódico em edições posteriores. De posse da primeira edição desses jornais e outros dois documentos de registros históricos do Planalto Norte, os herdeiros resolveram tornar público o material.

A advogada Daniela Karina Bello Postai de Souza, 30 anos, é bisneta de Abelardo. Casada com o também advogado George Willian Postai de Souza, 30 anos, tinha guardado em casa em Joinville, desde 2007, estes impressos e agora a família decidiu tornar público os documentos. O contador Osmair de Oliveira Bello, 58, pai de Daniela e neto de Abelardo, mostra com orgulho os guardados.

Entre eles está uma mensagem do Legislativo Municipal de Itaiópolis de 1948. A papelada, segundo relato escrito pelo próprio Abelardo, foi apresentada pessoalmente ao governador em exercício José Boabaid pleiteando a elevação do município a categoria de comarca. Abelardo fez parte da comissão que foi em comitiva à Capital.

“Entramos em contato com a Prefeitura. Agora, vamos entregar este documento, que é público, para que todos tenham acesso a este registro sobre a história da cidadeâ€, afirma George, que destacou à nossa reportagem que os documentos, em sua maioria, já foram entregues a quem de destino.

Outro registro que estava em poder da família e da eleição da Cooperativa dos Ferroviários Catarinenses Ltda., em 1942. Abelardo criou uma chapa durante a campanha onde se candidatava ao conselho como diretor-presidente. No documento, tem todos os membros da equipe que impugnou a candidatura do concorrente. “Não descobrimos quem venceu a eleiçãoâ€, revela Daniela.

Atualmente, a cooperativa virou sindicato e, com a entrega dos documentos, pretendem descobriu quem foi eleito naquele ano.

Neta tem orgulho de Abelardo

A também jornalista Viviane Ribas, que reside em Mafra, demonstra orgulho pelos feitos do avô e, de igual forma os demais ‘sucessores’ de Abelardo, conta que já o pai do mesmo, Rodolpho José de Oliveira, foi pioneiro ao fundar o jornal “O Regional†em 1922.

Ferroviário e também jornalista, Abelardo teve registro na Associação Brasileira de Imprensa e fundou cinco novos jornais na cidade de Mafra – cidade esta que escolheu para morar, casar e ter seus filhos. Abelardo sempre foi muito envolvido com a política da região e com a classe ferroviária.

Seus primeiros jornais fundados em Mafra foram: “Correio de Mafra†em 1932; “A Nação†em 1933. No ano de 1934 se destacou com a fundação do jornal “O Trabalho†estes com edições semanais. Posteriormente, em 1947, instituiu o “Jornal de Mafra†e em 1956 “O Noticiário da Fronteira†inicialmente com edições semanais e depois diárias. Na época da fundação dos seus jornais locais, contou com o trabalho dos seus filhos, Abelardo Luiz de Oliveira Filho, Juracy de Oliveira e Jacy de Oliveira (falecido recentemente) que também atuaram como profissionais de jornalismo com uma tipografia instalada no porão da sua casa em Mafra aonde até sua primeira esposa, Iracema de Oliveira e sua filha Jeni ajudavam na manutenção e limpeza dos “tipos móveis†– instrumento manual antigo usado para área da tipografia na impressão dos textos e edição dos jornais.

Ela destaca que toda família sempre foi muito envolvida com a produção dos jornais e mesmo com os passar dos anos, os pertences que ainda restavam no porão da sua casa, após o falecimento do jornalista Abelardo, foram do interesse e estima dos familiares em guardá-los para posteridade e a fim de documentação histórica para pesquisa. “Muita coisa se perdeu com o tempo, não por desinteresse da família, afinal todos tinham muito apreço pelos pertences guardados e avalio dos trabalhos neles realizados, outras foram doadas para biblioteca públicas, prefeituras e ao estado para fins de pesquisa e informações como registro documentalâ€, é o que relata Viviane de Oliveira Ribas que é neta de Abelardo e a primeira e única mulher a dar continuidade na profissão de jornalista na família.

“Embora meu avô não fosse mafrense, adotou Mafra no coração e por ela lutou, Mafra o acolheu de braços abertos e então nessa convivência deixou o seu legado contribuindo com a política, a classe ferroviária e em especial com a mídia impressa, através do seu pioneirismo com os jornaisâ€, ressalta a neta.

Esportes

Por Mafra, nos esportes, no ano de 1937 fundou a Liga Municipal do Desporto da qual foi presidente por mais de 15 anos.  Foi também por muitos anos, presidente do Clube Atlético Operário. “Ele tirava inclusive dinheiro do bolso para manter o time da cidade e foi também fundador da Liga Mafrense de Desportos, órgão que agremiava diversos pequenos clubes da cidade e redondeza, servindo como celeiro de atletas para clubes maiores, revelando jogadores com muita aceitação na capital do Paranáâ€.

Hoje o campo de futebol da Associação dos Servidores Públicos do Município de Mafra leva o nome de Abelardo Luiz de Oliveira, mas pessoas que acompanharam sua trajetória de vida familiar e profissional ressaltam que o mesmo merecia ser ainda mais reconhecido, com seu nome denominando uma praça ou via pública de importância para o Município.

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6 comentários publicados
  1. Omar Gabardo

    Fiquei emocionado em ler notícias a respeito da Cooperativa dos Ferroviários Catarinenses. O prédio, onde atualmente se localiza um Sindicato, foi construido na gestão de meu Pai, Angelo Parolin Gabardo como Diretor Comercial. Era presidente, Alfredo Furiati. Meu padrinho Luiz Gabardo, conhecido com Ióto, foi o metre de obras.Ao lado do então magestoso predio, que fornecia aos Cooperados, Secos e Molhados, e Fazendas e armarinhos, meu Pai construiu a Farmácia, que, em homenagem à Primeira Dama do Estado na época, lhe foi dado o nome de Farmácia Beatriz Ramos (esposa de Nereu Ramos, então interventor do Estado de Sta.Catarina. O prédio principal abrigava, alem das seções de secolhos e molhados, de fazendas e armarinhos, uma ampla padaria, torrefação e moagem de café (marca Rúbio) e, alfaiataria. Na farmácia, funcionava, tambem, um Consultório Médico e Um Consultório Odontológico, com atendimento diário aos Cooperados e seus familiares. Abraço aos familiares de Abelardo Luiz de Oliveira. Omar Gabardo – Londrina Pr.

  2. Valdemiro de Carvalho Filho

    Primeiramente parabenizo pela homenagem ao grande jornalista Abelardo. Fico feliz em ter contribuído um pouquinho com ele, pois em 1957 e 1958, todo domingo bem cedinho lá estava eu apanhando vários exemplares que vendia para meus clientes da Vila Ferroviária. Eu anunciava assim: “olha o Noticiário da Fronteira!”.
    Naquele tempo criança podia trabalhar honestamente sem deixar de ter tempo para estudar e brincar.
    Aquele abençoado dinheirinho era muito bem aproveitado. Pagava minha entrada nos inesquecíveis Cines Marajá e Rio Negro todo domingo à tarde, com direito a pipoca, amendoim e na saída um delicioso sorvete naquela sorveteria que existia na Rua XV de Novembro, pertinho da ponte metálica e comprar meu puxa-puxa na hora do recreio do Colégio São José em Rio Negro onde cursava o Ensino Primário.
    Hoje, estou com 66 anos de idade, aposentado como professor e residindo em São José dos Pinhais/PR.

  3. Operariano

    Importante resgate e homenagem a esse Operariano que tanto se dedicou ao Alvinegro Mafrense, servindo de exemplo as novas gerações, principalmente os que tem poder de decisão, como o atual prefeito que é neto de outro ex-presidente do Operário, Sr. Oscar Scholze, figuras que sem recursos financeiros, faziam muito através do amor e dedicação ao Clube.

  4. Priscilla Bello Pereira Hack

    Orgulho pra nossa família! Saudades do meu bisa…

  5. Gabriel Ribas

    É um orgulho saber que foi o Jornal de meu bisavô. Quando meu avô era vivo, me contava das histórias em que trabalhava no Jornal de seu pai. Adorava isso.

  6. Francisco Jose Saidl

    Fico contente em saber que esta’ sendo resgatada a memoria deste grande pioneiro do jornalismo riomafrense. Lembro-me bem dele nos longinquos anos 60.

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