Funcionários do Hospital Bom Jesus entraram em greve na quinta-feira

Publicado por Gazeta de Riomafra - 13/04/2013 - 11h55

Mais de cinquenta por cento dos funcionários do Hospital Bom Jesus de Rio Negro participou, na tarde da última quinta-feira (11), de Assembleia Geral que resultou na deflagração de greve haja vista não concordarem com a proposta inicial da diretoria da Unidade Hospitalar, de que no próximo dia 25 estaria ‘rateando’ entre os trabalhadores, o valor de R$ 80 mil, conforme resposta dada pela diretoria ao Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Curitiba e região.

Ao início da Assembleia o representante do Sindicato, Ciro José Batista Silva, passou a palavra ao administrador do Hospital, Marlon Witt, para que o mesmo falasse sobre a proposta de pagamento e em seguida conversou particularmente com o profissional que, retornando à sala onde até minutos antes da reunião encontrava-se mais de cinquenta funcionários, já contava então com apenas 43.

No retorno de Witt à Assembleia, percebendo que a paralisação dos funcionários era praticamente certa, o administrador aumentou a proposta de R$ 80 mil para R$ 120 mil no dia 25 próximo, mas citou ‘entre aspas’ a possibilidade de o pagamento não acontecer. Citou ainda o representante da diretoria do nosocômio que para o pagamento do restante dos haveres dos funcionários, que hoje gira em torno de R$ 190 mil, estariam buscando um financiamento especial junto à Caixa Econômica Federal, salientando que tal procedimento levaria em torno de até 60 dias para ser concretizado.

Marlon citou uma paralisação iniciada nos anos 1990 quando ainda da intervenção do hospital, tentando convencer os funcionários de que naquela ocasião houve o pagamento imediato porque ‘a imagem do prefeito importava mais’, salientando que não é o que irá ocorrer desta feita “porque hoje a situação é diferente e não há soluçãoâ€. Concordou que seja ruim trabalhar sem receber o salário e se disse na mesma condição que os demais funcionários embora esteja em cargo diretivo, apelando para a não deflagração da greve argumentando também que esta pode vir a prejudicar os trabalhos das equipes que foram nomeadas pela Associação Comercial e Industrial em parceria com o Hospital, para a busca de recursos e soluções ao mesmo. “Como as pessoas vão querer colaborar se os funcionários estiverem em greve? Que credibilidade terão as comissões para pedir auxílio e resgatar o nome do Hospitalâ€? – indagou.

Ainda durante sua fala o administrador citou que se deflagrado o movimento grevista procedimentos cirúrgicos particulares agendados restariam não realizados, impedindo o ingresso de dinheiro ao Hospital, mesmo que não o suficiente para o pagamento das dívidas. Segundo Marlon Witt, a proposta de pagamento dos R$ 80 mil e depois mais R$ 40 mil no dia 25 de abril não inclui o pagamento das rescisões a serem feitas, que serão tratadas de forma diferente. A última frase de Marlon antes de deixar a sala para que os funcionários pudessem realizar a assembleia e votar pela greve ou não foi “deixo vocês com a consciência de vocêsâ€.

Por pouca diferença funcionários deflagraram a paralisação

Após as explicações do representante do Sindicato, Ciro Silva e dos advogados Daniele F. de Lima e Raphael Struszike e respaldo do presidente do Instituto Primeiro de Maio, João Luis Slusarczuk, onde principalmente se destacou que em conformidade com a Lei 30% dos funcionários teriam que manter suas atividades por setores, o que será feito em sistema de escalas, com ênfase também para o fato, como disse o sindicalista, de que “greve é greve e aqueles que não optarem  pela mesma devem respeitar a decisão e o direito da maioria em buscar seus direitosâ€, Ciro Silva colocou a greve em votação, sendo que os favoráveis à paralisação até o próximo dia 25 de abril – data previamente agendada pela diretoria para pagamento, por pouca diferença deflagraram a greve, que teve início imediato logo após a votação, momento em que os trabalhadores se dirigiram à frente do Hospital e já comunicaram o movimento através de faixas e bandeiras.

Antes os advogados e o sindicalista destacaram que o Hospital pode optar por não pagar os dias de paralisação e, se assim o acontecer, o próprio Sindicato ingressará com ação judicial solicitando o pagamento, cuja decisão será exclusiva do juiz do Trabalho, que pode determinar o pagamento ou até mesmo a compensação de horas ou, em última hipótese, que estes valores não sejam ressarcidos. “O direito à greve é um direito Constitucionalâ€, lembrou o advogado Raphael.

Durante os dias de paralisação os funcionários grevistas ficarão em frente o Hospital durante o horário em que estariam trabalhando e assinarão um livro ponto do movimento, comprovando a adesão e continuidade da greve. Já os 30% dos trabalhadores que, em sistema de revezamento irão trabalhar para manter os serviços e o atendimento aos pacientes já internados até o momento do início da greve, assim como primando por atender os casos de urgência e emergência, baterão o cartão normal do próprio Hospital.

O administrador do Hospital, Marlon Witt, que havia se comprometido a enviar por e-mail o documento de resposta enviado ao Sindicato e não o fez até o fechamento de nossa edição, também não quis se manifestar quando da deflagração da greve, alegando que tinha que tomar algumas decisões e não poderia se pronunciar à nossa reportagem. Tentamos contato até a tarde de ontem com o mesmo e, segundo informações do Hospital, havia se deslocado a Curitiba, estando também o seu telefone celular desligado ou fora de área, motivo pelo qual não possuímos o parecer da direção quanto à greve. Extraoficialmente ouvimos o administrador dizer, já ao final da assembleia, que se é direito do hospital descontar os dias parados e fazer com que os funcionários ingressem na Justiça na tentativa de reverter a situação, assim o será.

Prefeito se diz solidário aos funcionários

Procuramos o prefeito Milton Paizani na manhã de ontem para suas considerações com relação a greve dos funcionários do Hospital Bom Jesus, bem como sobre a afirmativa do pastor presidente da Unidade de Saúde na reunião com as comissões nomeadas pela ACI, na última quarta-feira, quando este declarou que a única dívida que a atual diretoria teria contraído seria a do não pagamento dos funcionários, ‘face ao não repasse de subvenção pela atual Administração Municipalâ€.

Paizani destacou que legalmente não se pode conceder subvenção social a uma empresa com a qual o Executivo mantém contrato de prestação de serviços, como no caso do Hospital que recebe pouco mais de R$ 165 mil/mês para manutenção dos serviços de Pronto Atendimento, ‘através do devido contrato’. O que ocorria durante a administração passada, conta Paizani, é que como no final dos anos o Hospital apresentava dificuldades para pagamento por exemplo do 13º salário, considerando o superávit que é comum ser registrado nas Prefeituras por economia em algum investimento, o então prefeito subvencionava o hospital de Rio Negro. “Esse recurso seria na verdade um aditivo, que verificamos ser ilegal e por isso não estamos concedendo no corrente anoâ€, apontou o alcaide, destacando, também, que no orçamento do município para este ano consta o pagamento mensal de R$ 165 mil para o Hospital e nenhum valor a mais. “O orçamento desse ano foi feito pela administração anterior e nós a estamos cumprindoâ€, declarou, afirmando que para auxiliar o Hospital irá buscar recursos do superávit que já está garantido para esse ano, com a economia por exemplo, de R$ 2.760.000,00 somente com a desativação de quatro Secretarias, uma das ações de seu governo nestes quase cem dias de trabalho.

De acordo com o prefeito Paizani a previsão é de que o Hospital ou porventura alguma empresa vencer a licitação para a manutenção do Pronto Atendimento e seus profissionais, o repasse mensal passará dos atuais R$ 165 para R$$ 230 mil/mês. “Desta forma estaremos contribuindo para maior equilíbrio das finanças do hospitalâ€, ressaltou.

Paizani disparou que o Executivo está solidário com os funcionários e com a greve declarada, haja vista a necessidade premente de se receber pelo trabalho efetuado; e disse saber que o hospital não está pagando o salário por falta de vontade e sim pela escassez de recursos para tal.

Lembrou o prefeito que já na próxima segunda-feira às11h30min, juntamente com o legislativo rionegrense, Associação Comercial e Industrial, FIEP, diretoria do hospital e representante dos funcionários, está agendada audiência com o secretário de Estado da Saúde, na busca de recursos e investimentos junto ao Hospital Bom Jesus. “Estamos caminhando de mãos dadas para reerguer o Hospital Bom Jesus e na sequência iremos buscar a reativação da Maternidade, com equipamentos que garantam a qualidade do atendimentoâ€, concluiu.

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4 comentários publicados
  1. Juca

    É isso ai meu povo. O povo está completamente feliz com esse governo. Tudo pela saúde, educação e segurança. Dá gosto de ver.

  2. Pauline

    Isto é uma vergonha…

  3. "Mafrençe" Ignorante

    a causa é justa, mas rsrs, estava lendo um dos banner e o “pórtuguez” da turmada ta feio.
    “TRABALHADORES DA SAÚDE PEDE”M” SOCORRO”
    Boa sorte para “vosseis”.

  4. Luiz Salamuni Curitiba

    De novo! Não tenho dúvida: a saúde do país está uma m…
    Enquanto isso a D. Dirma fazendo estádios pra Copa.
    Que palhaçada esse governo do PT!
    Acho que ano que vem muda.

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