GREVE EM SC: Professores do estado realizaram ato na praça Hercílio Luz

Publicado por Gazeta de Riomafra - 09/04/2015 - 12h13

Os professores mafrenses da rede estadual de ensino partiram para as ruas na tarde da terça-feira. Antes eles estavam concentrados no salão da Igreja São José, onde se organizavam com o comando de greve para mobilização dos demais colegas.

Na praça Lauro Muller, no início da tarde da terça-feira eles promoveram um ato com faixas e cartazes expondo suas reivindicações. Já após as 16h, nos final da tarde, eles se dividiram em grupos onde realizaram nas portas dos supermercados uma panfletagem explicando para comunidade os motivos da paralisação com o intuito de conscientizar a população em geral.

Hoje, as 13h30, eles irão se concentrar na praça Hercílio Luz para após seguirem em passeata pelas ruas Felipe Schmidt e Tenente Ary Rauen até a SDR de Mafra onde entregarão um documento com as reivindicações da classe ao secretário regional, Abel Schroeder (PMDB).

A greve do magistério estadual está entrando no seu 15º dia, a adesão ainda não é de 100%, mas segundo informações do comando de greve a cada dia que passa o número de professores grevistas aumenta, “Alguns colegas ainda não pararam devido a pressão que estão recebendo”, falou um professor que não quis se identificar se referindo a não adesão de alguns professores devido ao Governo do Estado, os diretores estarem fazendo pressão para continuarem em sala de aula.

Por outro lado existe reclamações também de professores não efetivos que também estariam sendo obrigados a aderir a greve. “Muitos de nós não queremos fazer greve, porém estamos sendo de certa forma, praticamente obrigados” – declarou um professor, pedindo para não ter seu nome divulgado, com medo de represálias pelos grevistas.

Já o Sinte, sindicato da classe, emitiu uma nota de repúdio contra a pressão pela não adesão à greve, o que eles estão chamando de assédio moral. Veja a nota:

Nota de repúdio sobre o assédio moral do secretário Deschamps contra os/as trabalhadores/as via webconferência

A fala do Secretário da Educação aos/as diretores/as através da web conferência demonstra a forma como o governo Colombo orienta seus comandados a agirem, fatos o que o SINTE/SC já denunciava: a farsa da Gestão Democrática implementada pelo governo via decreto.

Em seu discurso o secretário afirma categoricamente que as direções são cargos de confiança do governador, ou seja, continuam sendo indicados pelos partidos da base aliada e o processo de eleição, que aliás não conseguiu atingir um número expressivo de escolas, é apenas uma forma criada para dar a ideia ilusória de Gestão Democrática, na mesma linha do pacote de ilusões do Plano de Carreira.

Outra coisa que chama a atenção é forma arbitrária com que o secretário se dirige aos/as diretores, uma postura ditatorial e intransigente comparável à postura dos regimes de exceção, que não compactua com o atual regime democrático de direito, nem tão pouco com a imagem de negociador que ele tenta transmitir a população em suas entrevistas.

Ao que parece a máscara caiu e sua fala reflete o desespero de quem está sendo pressionado pelo governador para que mantenha sua tropa de choque sob controle, incitando-a aterrorizar os/as professores grevistas para que estes/as desistam do movimento, pois sua cabeça está a prêmio.

A fala do secretário afirmando que os diretores não podem ser pelegos do sindicato foi de alguém que não entende nada de sindicalismo e de um primarismo absoluto. Lembramos ao secretário que antes de qualquer coisa os/as diretores/as são profissionais da educação e a eles é garantido o direito a filiação sindical, e apoiar a greve ou não, é seu direito legítimo.

Acusa-los de pelegos do sindicato é um tanto estranho, pois pelego é aquele que ignora as reivindicações de sua base para negociar com o patrão. Por isso quem está levando os/as diretores/as a serem pelegos é o secretário quando afirma que a negociação se dará via web conferência com os/as gestores, ignorando a constituição e passando por cima da categoria.

Sua maneira de agir demonstra a forma maniqueísta e despreparada na condução de qualquer pleito dos/as trabalhadores da educação catarinense, pois o que ele tenta fazer é convencer o sindicato a negociar não o direito dos/as trabalhadores/as, mas sim aquilo que o governo quer.

O SINTE/SC é o legítimo representante dos/as trabalhadores/as em educação do Estado de Santa Catarina, são mais de quatro décadas de luta, e um governo que se diz democrático precisa respeitar essa instituição e não fazer o trabalho leviano que tenta deslegitima-lo perante a sociedade. Mantemos uma relação institucional com a ALESC e os deputados.

Ao contrário do governo, o SINTE, jamais utilizou de estratégias para cooptar os deputados e mesmo que sua ampla maioria tenha sido eleita dentro da base aliada ao governo Colombo, nada pode impedi-los de discordar da posição de sua coligação partidária.

A acusação do secretário de que o sindicato não defende os/ os/as professores não é verdade, pois ao alerta-los sobre as armadilhas da proposta do governo é a melhor forma de defendê-los, e sua acusação de que rompemos a negociação é outra falácia, pois até o momento o que foi apresentado foi apenas um estudo e não uma proposta real, portanto, não ocorreu nenhuma negociação.

Por isso, o SINTE/SC repudia todo e qualquer ato de coerção por parte do governo que venha a atingir os direitos dos/as trabalhadores/as, pois este tipo de atitude se constitui em assédio moral, uma total falta de respeito a democracia, e este vídeo é apenas a ponta do iceberg do clima de terror instalado pelos diretores orientados pela SED dentro das escolas de todo o estado de Santa Catarina.

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