Mais uma criança vítima de um “Sistemaâ€

Publicado por Gazeta de Riomafra - 05/06/2013 - 16h00

“Tinha tudo para ser um parto tranquilo, os documentos comprovam que minha gestação foi normal e que meu bebê era normal também. Mas como não queriam autorizar uma cesárea meu filho passou do tempo de nascer e teve paralisiaâ€. Esse é o desabafo da mãe Graciele Stock Schneider que no dia 12 de dezembro de 2009 deu entrada na Maternidade de Mafra e teve que esperar – segundo ela, até os quarenta minutos do dia seguinte para saber que o filho nasceu vítima da paralisia.

Ainda na Maternidade, conta Graciele, a revolta tomou conta dela, do marido e de todos os familiares e enquanto Cristian Vinícius passava trinta dias na Unidade de Terapia Intensiva, os mesmos eram ‘impelidos’ a não ingressarem com nenhuma ação judicial até mesmo por alguns advogados procurados pela família.

Hoje Cristian não fala e não anda mas demonstra com o olhar ou quer com um sorriso ou lágrimas, aquilo que quer expressar, ou seja, a vontade de viver e como diz Graciele, “poder dizer mamãe eu te amoâ€.

Ela salienta que não quer aparecer e sim fazer valer os direitos do seu filho, “não pelo que se gasta em medicamentos, fraldas etc, mas de ele poder frequentar aquoterapia, fisioterapia e fonaudiologia. Tenho certeza que ele pode vir a falar e andarâ€, destaca. Moradora do bairro Vila Nova, Graciele diz que Cristian Vinícius encontra tratamento pelo SUS em Mafra, contudo não consegue por exemplo o transporte do mesmo para realização de aquoterapia ao menos uma vez por semana, já que a clínica fica na localidade de Roseira, com dificuldades de locomoção para a família. O menino recebe ajuda mensal de um salário mínimo que é utilizada para parte de seus medicamentos e fraldas, assim como para a alimentação que precisa ser especial ante a dificuldade para mastigação. Somente com os três profissionais citados a família despende cerca de R$ 1 mil por mês.

O que mais impressiona é o brilho e a demonstração de que tudo que Cristian Vinícius espera é poder falar e andar é pode brincar. “Com estímulos tipo a équo, a fisio e a fonoaudiologia eu sei que ele pode ter uma vida normal, a gente sente isso neleâ€, chora a mãe.

Na última sexta-feira Criatian – que passa agora a contar com auxílio também do Lions Clube Mafra Centro, recebeu por doação de um programa desenvolvido junto à empresa “Três Estadosâ€, uma cadeira de rodas que em muito facilitará o seu deslocamento e até em uma postura mais correta. A mãe foi com ele receber a doação do programa “Uma pequena atitude representa muitoâ€, desenvolvida pela empresa e que com esta já conseguiu juntar seis cadeiras de rodas – cinco delas para moradores de Mafra. “Não tenho palavras para agradecer, o sorriso dele sentado ali na cadeira já diz tudoâ€, citou emocionada.

Na Secretaria de Saúde de Mafra, levando em conta que na tarde de ontem o secretário Tadeu Geronasso se encontrava em reunião na Universidade do Contestado, mantivemos contato com o diretor de Integração da Saúde, Marcelo Albino, que disse desconhecer o problema do menino Vinícius.

Mesmo destacando não ser médico o diretor nos disse que a primeira impressa é que a falta de oxigenação no cérebro da criança teria sido um problema no cordão umbilical, destacando porém que o caso deve ser devidamente estudado com as devidas análises inclusive dos prontuários médicos de antes e depois do nascimento da criança.

Quanto ao fato de o Sistema Único de Saúde promover o programa “Parto Humanizadoâ€, que visa o parto natural como forma de reduzir riscos às mães e às crianças. “Cada caso é um casoâ€, destacou.

Com relação às afirmativas de que não adiantaria a mãe entrar com ação judicial contra o Governo Federal ou a Maternidade, Marcelo Albino diz que são duas as opções, a primeira que ela procure a própria Secretaria Municipal de Saúde com toda documentação disponível para, com auxílio da Secretaria de Ação Social, se averiguar a viabilidade de se possibilitar o ingresso do menino Cristian Vinícius nos tratamentos que precisa, se laudos médicos também comprovarem a necessidade de realização dos mesmos. “Temos que nos informar dentro dos programas específicos na área social e ouvir o que os profissionais médicos podem fazer pela criança, mas certamente a Secretaria de Saúde estará aqui para auxiliarâ€, afirma, citando que outra viabilidade seria a família solicitar investigação através da esfera judicial, inicialmente procurando pelo Ministério Público.

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4 comentários publicados
  1. Adonis

    A Maternidade de Mafra é uma referência regional e, na minha opinião, é uma das poucas instituições de saúde que faz um bom e dedicado trabalho. Se algum servidor não realizou em bom atendimento este deve ser denunciado, agora, não se pode denegrir a imagem de toda uma instituição a qual possui, em sua maioria, profissionais qualificados e eficientes.

  2. iara uhlig

    Maternidade de Mafra esta de parabéns pelo MAU ATENDIMENTO PRESTATO AS GESTENTES!!!!
    falo por mim que já estive internada lá….

  3. dico

    Sinto por mais esta mãe que foi mais uma vítima do (sistema), uma vergonha!!!!!!

  4. Vera

    Realmente, esse não deve ser o primeiro descaso em nossa saúde, e de profissionais não comprometidos. Precisamos de profissionais que façam vale um diploma que diz” Doutor”.

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