Retrospectiva Rocknauta: os grandes álbuns lançados em 2012 que vale a pena conferir.

Publicado por Cris Fagundes - 19/12/2012 - 18h18

Vai chegando o final de ano, olhamos para trás, e muitas vezes um filme passa pela nossa cabeça, mostrando tudo o que aconteceu até o momento, desde janeira até dezembro, algumas memórias e coisas ainda estão frescas em nossa memória, outras porém nem tanto, filosofias aparte, vamos fazer hoje uma matéria especial, mostrando e falando sobre os grandes álbuns do Rock lançados no ano de 2012. Sem mais delongas, vamos aos trabalhos.

Muitos medalh√Ķes lan√ßaram belos √°lbuns, alguns renascimentos de artistas que h√° muito n√£o lan√ßavam um disco de qualidade. Vejam abaixo os grandes lan√ßamentos de 2012, que vale a pena dar uma conferida se ainda n√£o ouviu:

Lamb Of God –¬†“Resolution”¬†– logo no comecinho do ano, veio este petardo, mais para um golpe fulminante de um lutador de MMA, uma porrada atr√°s da outra, um √°lbum inspirado destes norte-americanos que j√° podem ser considerados como uma grande banda de heavy metal – afinal, atingir a terceira posi√ß√£o na parada americana n√£o √© para qualquer um.

O¬†Lamb Of God¬†√© uma banda da nova safra de boas bandas de heavy metal surgidas nos EUA a partir dos anos 2000, participantes de um movimento denominado¬†New Wave of American Heavy Metal¬†– nova onda de heavy metal americano. Outras bandas que tamb√©m s√£o consideradas partes deste movimento seriam¬†Hatebreed,¬†DevilDriver,¬†Mastodon¬†e¬†Unearth. √Č um movimento que se originou com bandas como¬†Pantera,¬†Machine Head¬†e¬†Biohazard, que trouxeram de volta ao¬†mainstream¬†a poderosa influ√™ncia¬†thrash¬†e¬†hardcore.

Este novo √°lbum,¬†“Resolution”, chega num momento importante para a banda, que vem de dois discos fortes e consagradores:¬†“Sacrament”, que recebeu uma indica√ß√£o ao¬†Grammy; e¬†“Wrath”, que na minha opini√£o √© seu registro mais forte. Depois de muito excursionar promovendo seu √ļltimo √°lbum, chegou a hora de gravar mais um grande disco e tentar se consolidar definitivamente na cena¬†heavy metal¬†mundial. Uma primeira dica de qu√£o bom seria este √°lbum veio no come√ßo de¬†dezembro de 2011, quando o primeiro¬†single¬†foi lan√ßado:“Ghost Walking”. Uma faixa intensa, os conhecidos vocais rasgados de¬†Randy Blythe¬†se aliando √†s guitarras de¬†Will Adler¬†e¬†Mark Morton, com¬†Chris Adler¬†e¬†John Campbell¬†na cozinha segurando as pontas. Ap√≥s uma faixa de tamanha qualidade, a expectativa aumentou bastante em torno do lan√ßamento deste novo disco.

O √°lbum inicia com o peso monstruoso de¬†“Straight For The Sun”, uma can√ß√£o mais arrastada, por√©m curta, apenas um prel√ļdio para a pr√≥xima can√ß√£o,“Desolation”, que emenda na anterior com seus¬†riffs¬†alucinantes de guitarra, com Blythe berrando a plenos pulm√Ķes, seus vocais caracter√≠sticos e marcantes. J√° comentei acima o poder da terceira faixa e primeiro¬†single¬†do disco.¬†“Guilty”¬†acelera ainda mais o andamento, e¬†“The Undertow”¬†traz forte influ√™ncia de¬†Slayer¬†nos seus¬†riffs.¬†“Barbarosa”¬†√© um tema instrumental curtinho, de pouco mais de um minuto, apenas uma introdu√ß√£o de luxo para a can√ß√£o seguinte,¬†“Invictus”, outra pancada de peso intenso – o baixo de Campbell se destaca e tamb√©m te prepara para mais um grande solo – eles est√£o excelentes neste √°lbum.

A segunda parte do disco come√ßa a toda com¬†“Cheated”, outra de velocidade supers√īnica que te nocauteia com for√ßa – e a influ√™ncia do Slayer mais uma vez se nota presente.¬†“Insurrection”¬†come√ßa mais calma, e depois acelera um pouco, mantendo um andamento mais moderado que as outras faixas.¬†“Terminally Unique”,¬†“To The End”¬†e¬†“Visitation”¬†mant√©m o ritmo do disco acelerado, com as caracter√≠sticas marcantes dele: muito peso, velocidade,¬†riffs¬†fortes e cortantes e o vocal rasgado de Blythe ditando o ritmo.

Na √ļltima faixa,¬†“King Me”, temos a grande diferen√ßa, talvez uma das faixas que a banda mais tenha arriscado em toda a sua discografia. Um tema de andamento bem mais lento que os demais no come√ßo, com teclados orquestrados ditando o ritmo ao lado das guitarras. At√© mesmo Blythe muda sua caracter√≠stica vocal rasgada para cantar um pouco diferente. Claro, chega um ponto que a porradaria e a gritaria volta ao padr√£o. N√£o se assustem tanto, a can√ß√£o √© bacana e ficou bem legal.

E a banda acabou virando not√≠cia com a pris√£o de seu vocalista,¬†Randy Blythe, na Rep√ļblica Tcheca, acusado de homic√≠dio de um f√£, que subiu no palco e teria sido empurrado por Randy e um seguran√ßa – vamos torcer para que tudo seja resolvido da melhor forma.

Lamb Of God - "Resolution"

Van Halen –¬†“A Different Kind Of Truth”¬†– este disco foi a maior surpresa positiva do ano, sem d√ļvida. Depois de muitos problemas de relacionamento com o vocalista¬†Dave Lee Roth, expuls√£o do baixista original¬†Michael Anthony¬†e turn√™s inst√°veis, ningu√©m esperava que o¬†Van Halen¬†soltasse algo de qualidade. A banda provou que ainda d√° caldo (e como d√°!), lan√ßando o melhor disco em muitos anos, ultra-inspirado, um dos melhores discos do ano. Pena que a turn√™ que a banda estava fazendo teve muitas datas canceladas, e ningu√©m mais sabe se neste ano que se aproxima teremos mais shows da banda. Tomara que sim!!

No come√ßo de fevereiro, alguns dias antes do lan√ßamento oficial, o disco vazou na Internet. Pronto, foi uma correria aos sites de compartilhamento para baixar logo o petardo, afinal estes sites est√£o sob feroz ataque da patrulha americana e das gravadoras. Rapidamente, diversas resenhas come√ßaram a surgir, todas em un√≠ssono apontando para um disco muito bom. Como tenho o costume de escutar um disco por algum tempo antes de emitir minha opini√£o, aqui estou eu comentando sobre o novo disco do¬†Van Halen¬†depois que todo mundo j√° o fez…

O disco abre com¬†“Tattoo”, que de longe √© a pior do disco. Mas escutando ela algumas vezes voc√™ acaba gostando um pouco dela e percebendo algumas qualidades – o solo de Eddie, por exemplo. Depois de quase 5 minutos desta can√ß√£o, voc√™ fica com aquele sentimento que o¬†Van Halen¬†poderia ter feito melhor. A seguir vem mais uma que voc√™ sabe que √© antiga e foi requentada para este √°lbum –¬†“She’s The Woman”. Mas as coisas come√ßam a melhorar: voc√™ come√ßa a perceber que a banda est√° de volta ao seu velho estilo que praticava com¬†Diamond Dave, com boas melodias, uma guitarra marcante, solos furiosos de Eddie e tudo o mais. Voc√™ j√° nem se lembra que¬†Michael Anthony¬†est√° ausente, j√° est√° curtindo bastante o disco. Apenas na segunda can√ß√£o? √Č…
“You And Your Blues”¬†come√ßa e me sinto transportado para os velhos tempos do¬†Van Halen, uma can√ß√£o melodiosa e¬†prazerosa de se escutar.¬†Aqui j√° estou achando que o √°lbum vai ter que cair muito o seu n√≠vel para n√£o ser um dos melhores de 2012. S√≥ que a seguir vem¬†“China Town”, onde Eddie come√ßa arrasando, n√£o deixando pedra sob pedra. Sim, o bom¬†Van Halen¬†est√° de volta!! N√£o h√° discuss√£o, a banda conseguiu finalmente gravar um grande √°lbum, depois de tantos anos com pouca ou nenhuma atividade. Viva!!
“Blood And Fire”¬†√© mais uma daquelas can√ß√Ķes melodiosas de que j√° falei, gostosas de se escutar. E pensar que com tantas boas can√ß√Ķes, escolheram logo¬†“Tattoo”¬†como¬†single.¬†“Bullethead”¬†aumenta a velocidade e entrega uma banda que parece estar gravando seu primeiro disco, tamanha a vontade demonstrada.¬†“As Is”¬†mant√©m a pegada e a velocidade impressionantes.¬†“Honeybabysweetiedoll”¬†come√ßa com sons diferentes da guitarra de Eddie, mas rapidamente um¬†riff ¬†forte toma conta e conduz belamente a can√ß√£o.¬†“The Trouble With Never”¬†√© outro petardo do disco, guitarra a toda e boa melodia – com uma parte de vocal falado seguida de um¬†riff ¬†pesado arrasador.¬†“Outta Space”¬†entra e continua aquela impress√£o de que o Van Halen est√° querendo provar algo para todos – se queria, provou!¬†Riffs¬†inspirados e certeiros, solos supers√īnicos que todo guitarrista de metal gostaria de criar. Em¬†“Stay Frost”, aquele blueszinho come√ßa tranquilo e acelera no ritmo do disco e no ritmo do novo¬†Van Halen, que nada mais √© que o bom e velho¬†Van Halen.¬†“Big River”¬†e¬†“Beats Workin'”¬†fecham o disco em alto estilo e apenas corroboram a opini√£o de quase todas as resenhas que li sobre este disco (incluindo esta): provavelmente ser√° o lan√ßamento do ano, um excelente retorno!
Ningu√©m se importa que metade das can√ß√Ķes √© antiga ou recauchutada. Ningu√©m se importa que a capa do disco pare√ßa um pl√°gio de uma antiga capa dos¬†Commodores. O que todos se importam √© que o disco veio com uma for√ßa que ningu√©m mais imaginava que a banda possu√≠a. O que importa √© que¬†Eddie Van Halen¬†est√° tocando absurdamente bem. O que importa √© que o¬†Van Halen¬†est√° de volta.

Van Halen - "A Different Kind Of Truth"

Slash –¬†“Apocalyptic Love”¬†–¬†Slash¬†vem se ocupando de trabalho desde que saiu do¬†Guns ‘N’ Roses. J√° lan√ßou discos pelo Snakepit, pelo¬†Velvet Revolver¬†e agora pela carreira solo. Neste √°lbum, ele tomou a op√ß√£o de ficar apenas com um vocalista (o anterior teve diversos vocalistas convidados), seu cantor de turn√™,¬†Myles Kennedy. O disco ganhou diversos elogios e foi muito bem recebido pelos f√£s e pela cr√≠tica especializada. E o guitarrista tamb√©m excursionou muito promovendo este √°lbum, incluindo o Brasil (passou por aqui em novembro).

Slash - "Apocalyptic Love"

Joe Bonamassa –¬†“Driving Towards The Daylight”¬†– Joe √© um menino prod√≠gio e prova isso a cada lan√ßamento que faz. Tanto faz que seja na sua carreira solo, como este √°lbum aqui, ou com o¬†Black Country Communion, como veremos mais abaixo. Quando Bonamassa est√° presente, o disco tem incr√≠vel qualidade. Aqui, contando mais uma vez com o produtor¬†Kevin Shirley, lan√ßou mais um grande disco de bom gosto e qualidade, que conseguiu a proeza de atingir a segunda posi√ß√£o da parada inglesa, al√©m de liderar a parada de blues norte-americana. Um de meus lan√ßamentos preferidos deste ano!

O repert√≥rio do disco √© composto de algumas poucas composi√ß√Ķes de Bonamassa (tr√™s) mais diversas covers, dos principais nomes do blues, como¬†Willie Dixon,¬†Howlin’ Wolf¬†e¬†Robert Johnson, al√©m de artistas mais inusitados, como¬†Tom Waits,¬†Bernie Marsden¬†(ex-guitarrista do¬†Whitesnake, chegou a ser cogitado no¬†UFO¬†antes de¬†Michael Schenker¬†entrar na banda) e¬†Jimmy Barnes¬†(este √ļltimo faz participa√ß√£o especial no disco cantando na sua pr√≥pria cover).

O √°lbum foi quase todo gravado nos est√ļdios¬†The Palms, em Las Vegas, exce√ß√£o √†s can√ß√Ķes¬†“I Got All You Need”,¬†“A Place In My Heart”,¬†“Heavenly Soul”¬†e¬†“Somewhere Trouble Don’t Go”, que foram gravadas nos est√ļdios¬†The Village Recorders, em Los Angeles. Para obter o delicioso som de guitarra que escutamos neste disco,¬†Joe Bonamassa¬†usou e abusou de guitarras modelo¬†Gibson Les Paul, de anos variados, mas todas bem antiguinhas (Joe considera a melhor a que ele comprou primeiro, uma de 1959).

O disco come√ßa com uma composi√ß√£o pr√≥pria de Bonamassa,¬†“Dislocated Boy”, uma can√ß√£o bem moderna que abre o √°lbum em grande estilo. A seguir, temos¬†“Stones In My Passway”, cover de¬†Robert Johnson, e o disco entra de cabe√ßa no¬†“blues de raiz”¬†(se √© que existe termo semelhante…). A faixa-t√≠tulo, para mim a melhor do disco, √© um tema lento, gostoso e suave, de uma qualidade extrema. Temos¬†“Who’s Been Talking”, um cl√°ssico do¬†bluesman¬†Howlin’ Wolf, um¬†riff¬†que me remete a¬†“Whole Lotta Love”, do¬†Led Zeppelin. O blues continua rolando solto e passamos para¬†“I Got All You Need”, de outro grande¬†bluesman,¬†Willie Dixon. Todas estas can√ß√Ķes com interpreta√ß√Ķes inspiradas de Bonamassa e sua banda, com produ√ß√£o certa e bem direcionada de¬†Kevin Shirley.

“A Place In My Heart”, cover de¬†Bernie Marsden¬†(ex-guitarrista do¬†Whitesnake, da √©poca blues rock da banda), recebe uma interpreta√ß√£o primorosa, com uso suave e moderado de um naipe de metais (me lembrou o saudoso¬†Gary Moore) e um solo inspirad√≠ssimo, ficando entre os grandes destaques do disco.¬†“Lonely Town Lonely Street”¬†√© outro estandarte do blues, desta vez de um cantor menos conhecido,¬†Bill Withers. A √ļltima composi√ß√£o de Bonamassa a figurar no disco,¬†“Heavenly Soul”, √© outra bela composi√ß√£o deste prod√≠gio das seis cordas, com melodia cativante e bela performance no √≥rg√£o Hammond de¬†Arlan Schierbaum.¬†“New Coat Of Paint”¬†√© outro belo blues, uma cover de¬†Tom Waits.¬†“Somewhere Trouble Don’t Go”¬†traz forte influ√™ncia de¬†ZZ Top¬†(Joe costuma fechar seus shows com uma m√ļsica dos barbudos,¬†“Just Got Paid”), e fica o conflito entre o encarte do CD e a¬†Wikipedia: o encarte indica uma composi√ß√£o de Bonamassa, mas a enciclop√©dia online indica autoria de¬†Buddy Miller¬†(cantor americano de country). Fechando o √°lbum, temos a can√ß√£o¬†“Too Much Ain’t Enough Love”, cover de¬†Jimmy Barnes¬†(cantor australiano de sucesso em sua terra natal), interpretada pelo pr√≥prio.

O trabalho de produção de Kevin Shirley, mais uma vez, é impecável, deixando o som do álbum excelente e  ressaltando as qualidades de Joe Bonamassa. Kevin deve ser o produtor com os melhores resultados atualmente Рveja seus trabalhos com o Dream Theater, Iron Maiden, Black Country Communion. Meu pensamento é que ele é o Martin Birch dos anos 2000 (principalmente se pensarmos que ele tem trabalhado até com as mesmas bandas que Birch trabalhou, como o Maiden e o Deep Purple).

Enfim, álbum Indicado para seus fãs, para os que conhecem algum trabalho dele e para os que nunca o ouviram Рnão se arrependerão!

Joe Bonamassa - "Driving Towards The Daylight"

Kreator –¬†“Phantom Antichrist”¬†– este lan√ßamento de uma das maiores bandas do¬†thrash¬†alem√£o trouxe a banda melodiosa, sem perder a for√ßa e o peso caracter√≠sticos. As rea√ß√Ķes geralmente foram positivas, e a banda tem excursionado muito para promover o disco. Inclusive foi anunciado recentemente que eles devem fazer parte de um Big Four germ√Ęnico, junto das bandas¬†Sodom,¬†Destruction¬†e¬†Tankard, em festival na terra natal deles.

O disco come√ßa com a instrumental¬†“Mars Mantra”, apenas um pequeno prel√ļdio para a intensidade da faixa-t√≠tulo, provavelmente a melhor can√ß√£o do disco, seguindo bem este novo estilo que o¬†Kreator¬†vem seguindo, um¬†thrash¬†mais cadenciado, com muitos elementos de heavy cl√°ssico.¬†“Death To The World”¬†segue em alta rota√ß√£o, pesada e at√© mais r√°pida que a anterior, s√≥ que com uma quebra no meio da can√ß√£o, aquele trecho marca compasso pra banda respirar e entrar em mais velocidade e solos supers√īnicos. Mais uma quebra na m√ļsica, com guitarras dobradas e mais velocidade. Outra bela can√ß√£o.

“From Flood Into Fire”¬†come√ßa com belo¬†riff, dobrado pelos dois guitarristas, at√© cair em uma cad√™ncia de peso mais ritmada. O refr√£o √© bem melodioso e a m√ļsica talvez seja a mais suave do disco. OK, na hora do solo o bicho pega e a banda acelera. Mas depois voltamos a uma maior suavidade at√© com um pequeno trecho dedilhado. Diversos solos, diversas quebradas, uma m√ļsica bem complexa. Talvez a can√ß√£o mais at√≠pica – voc√™ n√£o espera tanta melodia do¬†Kreator.¬†“Civilization Collapse”¬†come√ßa com uma se√ß√£o r√≠tmica de Ventor, e depois de alguns versos de Petrozza, a banda desce o bra√ßo pra valer, na m√ļsica mais r√°pida do disco, um petardo de primeira. Essa sim, √© o que voc√™ espera do¬†Kreator!

“United In Hate”¬†come√ßa com um trecho ac√ļstico bonito, bem feito, e feliz e rapidamente, as guitarras assumem e nos trazem¬†riffs¬†potentes em mais uma can√ß√£o bem¬†thrash.¬†“The Few, The Proud, The Broken”¬†√© mais uma no estilo¬†thrash¬†cadenciado, bem pesada, e os elementos de heavy cl√°ssico bem presentes. Tem sido uma constante no disco at√© aqui, muitas quebras, mudan√ßas de tempo, m√ļsicas bem trabalhadas, sem simplicidade nenhuma.¬†“Your Heaven, My Hell”¬†nos traz um¬†Kreator¬†altamente influenciado por¬†Iron Maiden, todos aqueles elementos ac√ļsticos e progressivos que o Maiden tem mostrado recentemente. Claro que a can√ß√£o traz o peso caracter√≠stico do¬†Kreator, mas as influ√™ncias do Maiden est√£o bem presentes.¬†“Victory Will Come”¬†mant√©m a pegada do √°lbum, num thrash cadenciado de primeira. J√°¬†“Until Our Paths Cross Again”¬†nos traz uma can√ß√£o mais √©pica, menos¬†thrash¬†e seguindo um caminho do heavy metal mais tradicional (como falei anteriormente, as influ√™ncias de Maiden presentes).

O disco est√° muito bem trabalhado e a compet√™ncia dos m√ļsicos est√° muito alta. Claro que a banda acaba perdendo pra ela mesma em compara√ß√£o com discos do passado, como o excelente¬†“Violent Revolution”,¬†que me parece alguns degraus acima, apesar do estilo dos √°lbuns serem pr√≥ximos. Mesmo assim, temos um belo disco desta banda cl√°ssica da cena metal mundial. Uma prova que esta banda ainda tem muito a nos mostrar, ainda tem sua for√ßa e tem demonstrado esta for√ßa nos seus √ļltimos lan√ßamentos. Que o¬†Kreator¬†traga sua turn√™ mundial ao Brasil!!

Kreator - "Phantom Antichrist"

Rush –¬†“Clockwork Angels”¬†– depois de cinco anos, eis que os mestres do rock progressivo retornam com mais um disco, conceitual, de qualidade excelente, com peso, t√©cnica apurada, remetendo aos melhores momentos da banda nos anos 90, como o √°lbum¬†“Counterparts”. Conseguiram chegar na segunda posi√ß√£o da parada americana e est√£o em plena turn√™ de promo√ß√£o. Que bom que agora o¬†Rush¬†est√° recebendo o reconhecimento que tanto merece – ser√£o indicados em breve para o¬†Rock And Roll Hall Of Fame!

O disco come√ßa com as duas conhecidas, tocadas em¬†todos os shows da turn√™ de 2010. Boas can√ß√Ķes, a primeira com um bom¬†riff¬†e¬†uma quebradinha de ritmo no refr√£o e a segunda com mais pegada e peso (reparem que a banda gravou uma nova introdu√ß√£o para esta vers√£o de¬†“BU2B”). A faixa-t√≠tulo vem a seguir, √© a mais longa do √°lbum, e traz uma composi√ß√£o forte, alternando levadas calmas e mais aceleradas, com um refr√£o cativante – uma das melhores do √°lbum!¬†“The Anarchist”¬†parece ter sa√≠do do come√ßo dos anos 80 e trazida √† modernidade, aquelas t√≠picas levadas dos grandes discos da banda, tipo¬†“Moving Pictures”¬†ou“Permanent Waves”. O baixo de¬†Geddy Lee¬†conduz com maestria o andamento da can√ß√£o – √© outra de grande destaque no disco.

Em¬†“Carnies”,¬†Alex Lifeson¬†nos traz um¬†riff¬†com forte influ√™ncia de heavy metal, comunidade que sempre foi muito influenciada pelo¬†Rush.“Halo Effect”¬†√© uma lentinha linda, com andamento que me lembra outra grande can√ß√£o da banda,¬†“Resist”.¬†“Seven Cities Of Gold”¬†abre com o grande baixo de¬†Geddy Lee¬†e a seguir nos traz um¬†riff¬† matador, excelente, nos mostrando que a banda est√° afiad√≠ssima e inspirada nas composi√ß√Ķes – outro grande destaque do disco.¬†“The Wreckers”¬†√© uma can√ß√£o t√≠pica dos √ļltimos √°lbuns do¬†Rush, com andamento moderado, sons mais modernos, muito teclado. A melodia e o refr√£o dela acabam te ganhando.

“Headlong Flight”¬†√© o¬†single¬†mais recente do disco, foi lan√ßado em abril deste ano (um v√≠deo foi feito para esta can√ß√£o). Ela compete com a faixa-t√≠tulo como a melhor can√ß√£o do √°lbum. O baixo de Lee, que introduz a can√ß√£o, conduz e traz um ritmo forte, que √© rapidamente acompanhado pela guitarra de Lifeson e a bateria de Peart. O¬†riff¬† inicial se repete no refr√£o e a can√ß√£o ganha muita for√ßa – grande m√ļsica!!¬†“BU2B2”¬†√© uma curtinha r√°pida, apenas completa a sequ√™ncia da hist√≥ria.¬†“Wish Them Well”¬†√© outra moderninha que ganha valor com sua bela melodia e um refr√£o forte. O √°lbum fecha com a lind√≠ssima“The Garden”, que d√° o clima perfeito de desfecho da hist√≥ria. Um encerramento com chave de ouro!!

Enfim,¬†“Clockwork Angels”¬†√© um disco de extrema qualidade, com grandes melodias e performances, que voc√™ vai gostando cada vez mais, conforme vai escutando e percebendo todas as nuances que ele nos traz. Um trabalho que lembra os grandes discos da banda (o √ļltimo trabalho do¬†Rush¬†que me empolgou desta forma foi¬†“Counterparts”) – se este novo trabalho √© superior aos anteriores, s√≥ o tempo dir√°! O disco estreou na segunda posi√ß√£o na parada americana e no topo da parada canadense. Uma bela estreia!!

Rush - "Clockwork Angels"

Testament –¬†“Dark Roots Of Earth”¬†– mais um disco gravado pela forma√ß√£o quase que original do¬†Testament¬†– apenas o baterista¬†Louie Clemente¬†n√£o participou. E mais um disco fant√°stico, sem exagerar em clich√™s repetitivos ou f√≥rmulas desgastadas. As composi√ß√Ķes fortes e inspiradas da dupla de guitarristas¬†Eric Peterson¬†e¬†Alex Skolnick¬†tornam este um dos melhores discos da banda e um dos melhores lan√ßamentos de 2012.

Este novo álbum não se trata de nenhuma repetição do álbum anterior Рnem mesmo considero uma continuação. Também não revive algum disco do passado. A banda fez seu trabalho focada no presente e com muita qualidade. Escutando o disco o que percebemos é que a banda permanece fiel, de modo geral, ao thrash metal, com riffs rápidos e cortantes de Eric Peterson, e grandes solos de Alex Skolnick. A cozinha com Greg Christian e Gene Hoglan segura as pontas e acaba também se sobressaindo. Chuck Billy continua um grande vocalista, um dos melhores do gênero, e sua performance é grandiosa. Musicalmente, a banda nos trouxe um disco que conseguiu combinar o peso monstruoso, já característico da banda, com uma melodiosidade incrível, resultando em mais um álbum de destaque da banda.

O √°lbum abre com¬†“Rise Up”,¬†riff¬†arrasador no melhor estilo rascante, e j√° mostra que a banda n√£o veio pra brincadeira – uma arrasa-quarteir√£o logo de cara, para n√£o restarem d√ļvidas de que se trata de um grande disco de¬†thrash.¬†“Native Blood”, o segundo¬†single¬†do disco, traz um estilo de peso forte, mas ainda assim com melodias cativantes, uma musicalidade incr√≠vel – destaque para os vocais de¬†Chuck Billy, cada vez melhores. As melodias continuam presentes na faixa-t√≠tulo, uma can√ß√£o moderada que vai crescendo em intensidade, at√© atingir o cl√≠max no belo refr√£o.¬†“True American Hate”, primeiro¬†single¬†do disco, √© outra arrasa-quarteir√£o de primeira, talvez a melhor do √°lbum. Curioso notar que esta e a pr√≥xima can√ß√£o tem cr√©ditos nas letras do primeir√≠ssimo vocalista da banda, quando ela ainda se chamava¬†Legacy,¬†Steve Souza, ex-Exodus.

“A Day In The Death”¬†√© uma composi√ß√£o em parceria com o baixista¬†Greg Christian¬†(a maioria das composi√ß√Ķes √© de¬†Eric Peterson, com contribui√ß√Ķes de¬†Alex Skolnick¬†e letras de¬†Chuck Billy), e o baixo, como era de se esperar, se destaca bem – uma can√ß√£o forte, mas mediana em compara√ß√£o aos demais petardos.¬†“Cold Embrace”¬†√© a can√ß√£o mais longa do disco, uma m√ļsica mais lenta, com aqueles trechos mais pesados, a balada √©pica do disco, com um bel√≠ssimo solo de Skolnick, mais um grande destaque do √°lbum.¬†“Man Kills Mankind”¬†traz de volta os arrasa-quarteir√Ķes, com¬†riffs¬†rasgantes e galopantes.¬†“Throne Of Thorns”¬†come√ßa com aqueles mais que manjados dedilhados e aos poucos o peso vai tomando conta e de repente um¬†riffa√ßo¬†ultra-inspirado em¬†Black Sabbath¬†entra arrasando. Outra m√ļsica longa do disco, mais de sete minutos de um metal de primeir√≠ssima e um dos maiores destaques do disco tamb√©m – fico entre esta e“True American Hate”¬†como as melhores. Encerrando o √°lbum, temos¬†“Last Stand For Independence”, e o disco se encerra assim como come√ßou: com¬†riffs¬†de primeira, velocidade, mais uma porrada de primeira.

As faixas b√īnus se dividem entre tr√™s covers e duas vers√Ķes diferentes de can√ß√Ķes do √°lbum. Das covers, a que mais gostei foi a do¬†Queen,¬†“Dragon Attack”¬†(can√ß√£o do √°lbum¬†“The Game”), ficou muito boa. A cover do¬†Scorpions,¬†“Animal Magnetism”, trouxe um ar mais sombrio e pesado ao original e tamb√©m ficou bem legal. J√° a vers√£o de¬†“Powerslave”, do¬†Iron Maiden, vai te ganhando com o tempo.¬†Chuck Billy¬†√© um grande vocalista, mas tentar cantar um grande cl√°ssico na voz de¬†Bruce Dickinson¬†√© muito dif√≠cil. Ele tentou e n√£o se saiu mal, mas ainda sim n√£o curti tanto esta cover. As outras duas faixas b√īnus s√£o apenas vers√Ķes diferentes de can√ß√Ķes do disco, incluindo a participa√ß√£o do baterista¬†Chris Adler, do¬†Lamb Of God, em uma delas.

Em suma, temos um trabalho de primeira do Testament, mais um na carreira destes norte-americanos que, ano após ano, vem se firmando no primeiro time de grandes bandas do heavy metal. Não vou entrar no mérito de se este disco é melhor ou pior que os demais da banda Рcomo li em outra resenha deste disco, deixemos que o tempo passe e aos poucos o transforme no clássico que parece merecer se tornar.

Testament - "Dark Roots Of Earth"

Kiss –¬†“Monster”¬†– como li algu√©m falando sobre este disco: quando todo mundo pensava que os caras do¬†Kiss¬†iam ficar s√≥ no esquema de turn√™ comemorativa e venda de bugigangas, os caras ressurgem das cinzas com¬†“Sonic Boom”, um belo √°lbum. N√£o satisfeitos, embalaram em seguida (tr√™s anos depois) este outro disco,¬†“Monster”, ainda mais forte e encorpado, consolidando de vez esta nova forma√ß√£o da banda, com¬†Eric Singer¬†na bateria e¬†Tommy Thayer¬†nas guitarras. A produ√ß√£o de¬†Paul Stanley¬†tem optado por um som cru, direto, na face, sem baladas, como a maioria dos f√£s da banda preferem. E tem dado muito certo!! Outro grande petardo na discografia da banda.

Lan√ßado no dia 09/10/2012, uma ter√ßa-feira,¬†“Monster”¬†repete a parceria produtiva entre¬†Paul Stanley¬†e¬†Greg Collins. Stanley pode ser considerado o c√©rebro por tr√°s da sonoridade deste √°lbum – assim como aconteceu com o disco antecessor,¬†“Sonic Boom”. Tamb√©m √© o principal compositor, participando na escrita de quase todas as faixas, com exce√ß√£o de apenas duas (uma de Simmons e outra de Thayer). A produ√ß√£o de Stanley est√° bem caprichada, melhorou bastante desde o disco anterior e ressaltou a qualidade deste trabalho.¬†√Č como se¬†“Sonic Boom”¬†tivesse sido apenas um ensaio da banda, preparando o terreno e tentando capturar a rea√ß√£o de sua enorme base de f√£s; com o sucesso e a boa recep√ß√£o, a banda se aprofundou um pouco mais e soltou¬†“Monster”, uma clara evolu√ß√£o sonora e musical, com composi√ß√Ķes mais fortes e encorpadas. As performances dos membros tamb√©m s√£o destaque, em especial o vocal de¬†Gene Simmons¬†e as guitarras de¬†Paul Stanley¬†e¬†Tommy Thayer.

O disco √© uma grande sopa de influ√™ncias dos anos 60 e 70. A sonoridade, pra come√ßar – em diversos pontos, voc√™ tem aquela sensa√ß√£o de¬†deja-vu:¬†“Freak”¬†te lembra¬†Jimi Hendrix; em¬†“Long Way Down”, a introdu√ß√£o √©¬†Jeff Beck¬†puro (e copiado, da can√ß√£o¬†“Shapes Of Things”);¬†“Eat Your Heart Out”¬†parece at√© sa√≠da de um disco antigo do pr√≥prio¬†Kiss, com todos os elementos cl√°ssicos que a banda utilizava naquela d√©cada.¬†Temos can√ß√Ķes absolutamente empolgantes, como √© o caso de¬†“Back To The Stone Age”, a melhor do disco para mim; temos tamb√©m can√ß√Ķes melodiosas incr√≠veis, como¬†“All For The Love Of Rock & Roll”, cantada pelo baterista¬†Eric Singer. Ali√°s, assim como no √°lbum anterior, as can√ß√Ķes cantadas por Singer e Thayer s√£o destaques, ficaram muito boas.

O √°lbum abre com o primeiro¬†single,¬†“Hell Or Hallelujah”, que me passou uma impress√£o errada quando escutei a primeira vez¬†– me passou um som metalizado que n√£o gostei, por√©m com mais algumas audi√ß√Ķes, percebi que se tratava de uma can√ß√£o empolgante, alegre, no melhor estilo¬†Kiss.¬†“Wall Of Sound”¬†vem a seguir, bom¬†riff, talvez a mais moderna do disco, lembrando um pouco o √°lbum¬†“Revenge”.¬†“Freak”¬†foi a que menos gostei, provavelmente a composi√ß√£o mais fraca do disco. J√° a faixa seguinte,¬†“Back To The Stone Age”, √© a minha preferida, um¬†riff¬†forte e empolgante, o come√ßo crescente, bela performance vocal de¬†Gene Simmons, o refr√£o grudento,¬†Tommy Thayer¬†arrebentando no solo, tudo conspirando para este futuro cl√°ssico da banda.¬†“Shout Mercy”¬†tamb√©m empolga, mas n√£o tanto quanto a anterior.¬†“Long Way Down”, conforme j√° falei, tem a introdu√ß√£o roubada (ou seria homenagem?) de¬†Jeff Beck, mas √© uma boa can√ß√£o.¬†“Eat Your Heart Out”¬†√© outra que tem tudo para ser cl√°ssico no futuro, com todos aqueles elementos cativantes e que agradam todos que gostam da banda. Um ritmo forte mantido por um bom¬†riff¬†e mais um refr√£o grudento garantem outra grande can√ß√£o deste √°lbum.

“The Devil Is Me”¬†tem aquele clima soturno que envolve o personagem de¬†Gene Simmons, uma can√ß√£o mais pesada, tem√°tica da letra mais que adequada, e o¬†riff¬†garante o peso que a m√ļsica exige. A seguir, as duas can√ß√Ķes cantadas pelos outros membros: primeiro,¬†“Outta This World”, cantada por¬†Tommy Thayer, e a seguir¬†“All For The Love Of Rock & Roll”¬†cantada por¬†Eric Singer. Ambas ficaram muito boas e s√£o destaques do √°lbum (eu prefiro a cantada por Singer, melodia caprichada e ideal para o baterista brilhar).“Take Me Down Below”¬†tem vocal dividido por¬†Gene Simmons¬†e¬†Paul Stanley, uma composi√ß√£o de primeira que tamb√©m se destaca. O √°lbum se encerra com¬†“Last Chance”, empolgante e pulante como uma m√ļsica do¬†Kiss¬†deve ser, encerrando muito bem este belo disco. Bem, para quem adquirir o √°lbum digitalmente pelo¬†iTunes, temos ainda a mediana¬†“Right Here Right Now”, com vocal de¬†Paul Stanley.

O √°lbum estreou na parada americana abocanhando o terceiro lugar, uma posi√ß√£o abaixo do disco anterior, que ficou em segundo na semana de estreia – ali√°s, este segundo lugar foi o melhor resultado que o¬†Kiss¬†obteve em termos de posi√ß√£o na parada; o terceiro lugar vem a seguir, tendo sido atingido pelo disco¬†“Psycho Circus”¬†e por este. Um belo resultado, mostrando a for√ßa que a banda ainda tem.

√Č muito bom ver e comprovar que o¬†Kiss¬†est√° na ativa n√£o apenas com turn√™s de reuni√£o, mas lan√ßando √°lbuns de qualidade, como os dois √ļltimos. Esta forma√ß√£o ainda tem g√°s para novos petardos de qualidade, √© esperar pra ver!!

Kiss - "Monster"

Black Country Communion –¬†“Afterglow”¬†– era pra ser uma festa e alegria o lan√ßamento de mais um √°lbum deste supergrupo que j√° provou que tem muita qualidade. Mas, pouco antes do lan√ßamento, um arranca-rabo entre¬†Joe Bonamassa¬†e¬†Glenn Hughes¬†deram uma estragada no clima. Hughes quer que Bonamassa excursione mais com o BCC, s√≥ que o guitarrista d√° prefer√™ncia a sua carreira solo, que provavelmente d√° mais grana pra ele. Apesar das diverg√™ncias, o disco foi lan√ßado e √© maravilhoso, uma sopa de influ√™ncias dos anos 70 com interpreta√ß√Ķes magistrais e inspiradas, e obteve a melhor coloca√ß√£o na parada at√© o momento para a banda. Ficamos na torcida para uma turn√™zinha que passe por aqui pelo Brasil.

O √°lbum abre com¬†“Big Train”¬†e um¬†riff¬†suingado, toda a influ√™ncia funk que¬†Glenn Hughes¬†pode nos fornecer, ali presente. Parece continua√ß√£o do¬†“Come Taste The Band”, do¬†Deep Purple, mas n√£o √©, e √© muito bom. Ali√°s, as performances vocais de Hughes neste √°lbum est√£o fant√°sticas, as melhores dentro de discos do¬†Black Country Communion. Para o solo,¬†Joe Bonamassa¬†acertou bem e ainda conseguiu casar bem com a levada da can√ß√£o. A seguir, um¬†riff¬†arrepiante preenche totalmente nossos ouvidos: √© a segunda faixa,¬†“This Is Your Time”, um rock√£o t√≠pico dos anos 70, s√≥ que feito hoje por esta grande banda. Outro belo solo de Bonamassa, garoto prod√≠gio do¬†blues¬†que sempre declarou seu amor pelo¬†blues rock¬†ingl√™s dos anos 60/70. E, percebam, nestas can√ß√Ķes e em diversos momentos mais deste √°lbum, o teclado de¬†Derek Sherinian¬†se faz presente, bem aud√≠vel. Uma feliz corre√ß√£o a uma injusti√ßa que vinha sendo feita com ele.“Midnight Sun”¬†√© totalmente¬†The Who, a introdu√ß√£o me remete totalmente a¬†“Won’t Get Fooled Again”¬†– o pr√≥prio Hughes reconheceu isto em entrevista. O restante da can√ß√£o n√£o tem muito a ver, e se desenvolve como mais um rock de boa qualidade – ah, o finalzinho tamb√©m remete ao¬†The Who, mesma can√ß√£o.“Confessor”, primeiro¬†single¬†do √°lbum, √© grande destaque com sua pegada bem¬†hard rock, acelerada, e o¬†riff¬†de Bonamassa marcando forte – o duelo de solos entre ele e Sherinian nos remete aos melhores dias do¬†Deep Purple.¬†“Cry Freedom”¬†√© a √ļnica can√ß√£o com vocais de¬†Joe Bonamassa¬†(compartilhados com os de¬†Glenn Hughes), e √© estranho, j√° que nos outros dois discos ele cantava bem mais (duas em cada √°lbum. Ser√° que os desentendimentos come√ßaram antes?). Mesmo assim, este dueto vocal ficou excelente, e √© outro destaque do disco.

A faixa-t√≠tulo,¬†“Afterglow”, √© um mini-√©pico delicioso, uma maravilha de m√ļsica. Come√ßa suave, a voz de Glenn bem tranquila e calma, e aos poucos vai crescendo at√© ser tomada por um¬†riff¬†de peso, e volta √† suavidade. Esta can√ß√£o me fez lembrar de uma can√ß√£o do¬†Trapeze,¬†“Jury”, estilo parecido, que adoro. √Č a minha preferida do √°lbum, com certeza.¬†“Dandelion”¬†usa um pouco desta f√≥rmula, de suavidade, trechos ac√ļsticos e trechos mais pesados, por√©m de forma mais limitada, sem tanto clima quanto a anterior.¬†“The Circle”, a mais longa do disco, √© outra com come√ßo suave e crescente ao peso e volta, tamb√©m ficou muito boa, se destaca. O in√≠cio de¬†“Common Man”¬†me lembra algum¬†riff¬†de algum cl√°ssico do rock que n√£o me vem a mem√≥ria agora, mas o desenvolvimento da can√ß√£o acaba levando-a a caminhos diferentes do que tinha imaginado inicialmente – outro duelinho de solos entre Bonamassa e Sherinian que ficou legal, e tenho certeza que Derek se inspirou bastante nos solos de teclado de¬†John Paul Jones¬†no¬†Led Zeppelin¬†para esta can√ß√£o…¬†“The Giver”¬†√© outra boa can√ß√£o neste √°lbum, com destaque nesta para os¬†riffs¬†de Bonamassa e o finalzinho ac√ļstico. Para fechar o disco,¬†“Crawl”¬†e mais¬†riffs¬†de qualidade, grandes influ√™ncias dos anos 70, duelos de solos e outra bela can√ß√£o pra encerrar com chave de ouro mais um √≥timo disco do¬†Black Country Communion.
Em suma, temos um excelente √°lbum, uma sopa de influ√™ncias dos anos 70 misturada e apresentada de forma extremamente competente pela banda. N√£o √© de se estranhar que o¬†√°lbum tenha conseguido a posi√ß√£o de n√ļmero 48 na parada americana, a melhor posi√ß√£o dos tr√™s √°lbuns de est√ļdio (o primeiro estreou na posi√ß√£o 54 e o segundo na posi√ß√£o 71), mostrando que o interesse pela banda continua forte e que uma turn√™ faria muito bem ao grupo, aumentando sua divulga√ß√£o. Vamos torcer para que¬†Glenn Hughes¬†e¬†Joe Bonamassa¬†se acertem¬†e concordem a tocar juntos novamente, mantendo este maravilhoso projeto vivo. Eu, particularmente, tenho um sonho de v√™-los tocando no pr√≥ximo Rock In Rio. N√£o custa nada sonhar.

Black Country Communion - "Afterglow"

Aerosmith –¬†“Music From Another Dimension!”¬†– ap√≥s um grande hiato (oito anos desde o √ļltimo disco, e onze anos desde o √ļltimo disco com composi√ß√Ķes da banda), eis que o¬†Aerosmith¬†resolve lan√ßar finalmente um √°lbum de in√©ditas. Depois da confus√£o com o vocalista¬†Steven Tyler, que quase saiu da banda gra√ßas a sua participa√ß√£o no¬†American Idol, ningu√©m esperava um disco t√£o cedo. Acabou saindo, e temos bons momentos¬†rock and roll¬†no √°lbum. Pena que a banda exagerou na quantidade de baladas, diluindo muito o disco e tirando um pouco do seu¬†punch. O √°lbum ainda alcan√ßou a quinta posi√ß√£o na parada americana, um bom resultado, por√©m inferior aos grandes sucessos da banda como¬†“Get A Grip”¬†e¬†“Nine Lives”, que lideraram a parada. √Č bem poss√≠vel que a banda fa√ßa turn√™ por aqui ano que vem, √© s√≥ aguardar.

Aerosmith - "Music From Another Dimension!"

Soundgarden –¬†“King Animal”¬†– depois de tentar carreira solo, formar o¬†Audioslave¬†junto com os remanescentes do¬†Rage Against The Machine¬†e retornar √† carreira solo,¬†Chris Cornell¬†acabou finalmente aceitando a reuni√£o do¬†Soundgarden, importante banda do movimento¬†grunge. Ap√≥s algumas turn√™s e de uma colet√Ęnea de sucesso (“Telephantasm”), a banda se reuniu para gravar este novo disco, o primeiro em 16 anos! O resultado me remeteu aos discos de mais sucesso da banda, se bem que eu, particularmente, prefiro o disco deles¬†“Badmotorfinger”. Este √°lbum alcan√ßou a quinta posi√ß√£o na parada americana e, assim como o disco do¬†Aerosmith, pode ser considerado um bom resultado, mas aqu√©m dos discos anteriores. Esta √© uma banda que todos querem ver por aqui, j√° que √© in√©dita em terras brasileiras. Al√ī, Medina!!

Soundgarden - "King Animal"

Bem assim terminamos essa mat√©ria retrospectiva dos lan√ßamentos de 2012, se voc√™ n√£o ouviu algum desses √°lbuns, aconselho dar uma conferida, pois voc√™ extrair muita coisa boa deles. Enfim, me despe√ßo hoje, agradecendo a todos que nos acompanharam nesse ano de 2012 junto ao Blog Rocknauta, meus sinceros agradecimentos, que possamos estar juntos, firmes e fortes em 2013, e com muito Rock n’ Roll para falarmos, vivermos e sentirmos, termino deixando alguns v√≠deos de m√ļsicas desses¬†√°lbuns¬†lan√ßados em 2012.

Lamb Of God РThe Undertow (reparem a influência de Slayer Рpor volta de 1:33).

Van Halen – China Town.

Black Country Communion – The Confessor.

http://www.youtube.com/watch?v=kdZC18y8XKk

RUSH – Headlong Flight.

Testament – True American Hate.

Kiss – Eat Your Heart Out.

Tenham todos uma ótima tarde, boas festas e até próxima galera!!!

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