Rock e Liberdade Р(de Beatles à Cannibal Corpse).

Publicado por Cris Fagundes - 05/02/2013 - 15h02

Boa tarde galera, depois de um tempo ausente por problemas particulares estamos de volta, para falar sobre o nosso bom é velho Rock and Roll e todas as suas vertentes, sem mais delongas vamos aos trabalhos.

O peso aumentou. As bandas mudaram. Mas de Beatles à Cannibal Corpse, o espírito sempre foi o mesmo.

  • O Rock e a liberdade ao longo dos anos:

    No final de 2010, a Apple fez uma das melhores coisas que poderia ter feito na vida, a qual serei eternamente grato:

    Como parte das comemora√ß√Ķes do lan√ßamento do cat√°logo completo dos Beatles na iTunes Store, eles disponibilizaram por um per√≠odo relativamente curto, o primeiro show dos Beatles nos EUA. Em v√≠deo. Na √≠ntegra. Sem nenhum corte entre as m√ļsicas.

    Aqui cabe uma observação:
    Eu j√° vi in√ļmeros v√≠deos, clipes, document√°rios, Anthology, First US Visit, etc. Mas nunca tinha visto um show inteiro. Sem cortes. Como se estivesse sendo transmitido ao vivo.

    E foi m√°gico. Poder ver como eles se comportavam entre as m√ļsicas. O que eles falavam com o p√ļblico. O que eles faziam e como agiam. Como eles entraram no palco e como sa√≠ram.

    Foi uma experiência incrível. E muito reveladora por sinal, afinal 3 coisas que eu nem imaginava me chamaram muito a atenção.

    A primeira:

    O Paul era, de longe (mas muito longe) o absoluto dono da banda. Praticamente s√≥ ele falava com o p√ļblico. Cantava a enorme maioria das m√ļsicas. Enfim, era o dono e l√≠der da banda. Lennon, era t√≠mido. Quieto. No canto. Totalmente diferente do que eu imaginava (Parte 1).

    Paul e John em 1964 no primeiro show nos EUA, em Washington. Prestes a dominar o país e o Mundo.

    ¬†Vale ressaltar que esse show foi em Washington em 1964, se n√£o me falha a mem√≥ria (apenas dias ap√≥s a famosa apari√ß√£o no ‚ÄėEd Sullivan Show‚Äô que assolou o pa√≠s), ou seja, a banda n√£o estava ‚Äúiniciando‚ÄĚ, mas o papel de destaque de John s√≥ veio depois disso.

    A segunda:

    Ringo era uma esp√©cie de ‚ÄúDave Lombardo da √©poca‚ÄĚ. A bateria tremia e ele agitava muito durante o show. Totalmente diferente do que eu imaginava (Parte 2).

    E por fim, a terceira coisa, que é o motivo deste texto:

    A transgress√£o. A quebra de todas as regras pr√©-estabelecidas. A rebeldia. Da banda e do p√ļblico. Aqueles jovens, sentados em suas cadeiras estavam fazendo a maior ruptura das normas da √©poca. Era um comportamento de transgress√£o pura. De romper com tudo.

    E era libertador.
    E é disso que eu quero falar neste texto.

    Antes, coloquemos as coisas na perspectiva de hoje em dia:
    Quatro meninos. Vestidos de terno e gravata. Cantando¬†‚ÄúI Want To Hold Your Hand‚Ä̬†ou‚ÄúCan‚Äôt Buy Me Love‚ÄĚ. O que isso pode ter, mesmo que remotamente, algo a ver com rebeldia, transgress√£o e quebra de regras ?????

    Na perspectiva de hoje, nada.
    Mas em 1964, tudo.

    E √© essa a 3a. coisa que me chamou a aten√ß√£o no v√≠deo: A sensa√ß√£o de liberdade completa que aqueles jovens tinham ao gostar daquela banda e agitar naquele show. A oposi√ß√£o absoluta ao que sociedade, governo, fam√≠lia, igreja, enfim, institui√ß√Ķes, pregavam e ditavam como norma.

    Era o espírito do Rock em seu estado mais natural e puro possível.

    Pouca gente sabe, mas Ringo agitava muito nos shows.

     Pois bem, aqueles jovens cresceram, casaram, tiveram filhos, contas pra pagar, e uma nova geração veio. Que precisava também respirar esses ares de rebeldia. De transgressão. De antagonismo ao pré-estabelecido.

    E se o Heavy Metal n√£o foi o √ļnico caminho encontrado, podemos citar o punk, o psicod√©lico, os hippies, ¬†seguramente o Heavy Metal foi um dos mais importantes. E o que aconteceu desde os tempos de Sabbath, Purple e Zeppelin at√© os anos 80 com Maiden, Priest, Metallica e muitos outros, era exatamente isso: Uma das novas formas de transgredir. Gostar de Heavy Metal, curtir esse tipo de som, vestir-se de preto, deixar o cabelo crescer era romper com o status n√£o viver √† margem do que a sociedade definia como normal ou aceit√°vel.

    E por isso, m√ļsicas como¬†‚ÄúThe Number Of The Beast‚Ä̬†do Iron Maiden ou¬†‚ÄúBlack Magic‚Ä̬†do Slayer ou¬†‚ÄúThe Four Horsemen‚Ä̬†do Metallica (entre milh√Ķes de exemplos) s√£o t√£o importantes. S√£o s√≠mbolos vivos da transgress√£o da √©poca. Era a forma de fazer com que a juventude abra√ßasse aquilo que a Sociedade condenava e tinha medo. Era uma das formas de se rebelar com atitude Rock ‚Äėn Roll.

    E se nos anos 80, ouvir Iron Maiden, Metallica ou Slayer era sin√īnimo de transgress√£o, hoje em dia, embora ainda longe de ser mainstream, n√£o √© mais. Ningu√©m mais √© visto com outros olhos porque gosta de AC/DC, Whitesnake, Ozzy ou Scorpions. Mas no primeiro Rock In Rio, quando essas bandas vieram, sim. √Čramos transgressores. Agora n√£o mais. Agora toca¬†‚ÄėCrazy Train‚Äô¬†at√© em desenho da Pixar ou no intervalo do jogo da NBA.

    Nos anos 80, as capas do Iron Maiden chocavam e eram sin√īnimos de rebeldia e transgress√£o. Atualmente, bandas como Cannibal Corpse cumprem muito bem essa fun√ß√£o.

     Então uma nova onda de bandas que despertassem o espírito de rebeldia se fez necessária. Era preciso a criação de novos estilos que conseguiriam novamente romper com o que já havia sido aceito pela Sociedade.

    Esse processo começou lá atrás com o Thrash Metal e outros movimentos como o Death, Black, etc, passou pela mão do Pantera nos anos 90 e hoje temos vários representantes, de várias vertentes, que cumprem esse papel.

    São bandas cuja experiência de ouvir o álbum ou ir ao show faz com que os jovens de hoje, consigam novamente se sentir livres, respeitados e sem a opressão que vem de todos os lados.

    Essas bandas diferem enormemente entre si (tanto no estilo musical como na filosofia, postura e temática), mas elas têm em comum esse objetivo de ajudar a recriar o espírito de liberdade e transgressão. De chocar e chacoalhar a sociedade. De Krisiun a Cannibal Corpse. De Lamb of God a My Dying Bride. De In Flames a Paradise Lost. De Dark Tranquility a Six Feet Under.

    Krisiun, representando muito bem a geração de bandas que mantém o legado extremo vivo. E é um Orgulho Nacional !!!

    Tor√ßo para que pelos anos que est√£o por vir, a Liberdade que vem do Rock and Roll, de todas as suas formas e vertentes,¬†do Metal consiga sempre encontrar o caminho para os cora√ß√Ķes e as mentes de todos aqueles que amam o estilo e lutam por mant√™-lo vivo.

    √Č um legado que nasceu com os Beatles e que permanece mais vivo do que nunca. Afinal, n√£o √© √† toa que quase 30 anos depois do primeiro Rock In Rio, ao fazer o an√ļncio do Festival em 2013 ainda temos como grandes destaques do evento as bandas do estilo que amamos: Iron Maiden, Metallica, Slayer, Ghost, Alice In Chains, etc.¬†Ainda bem.

    Para terminar fechando o ciclo:

    Se¬†‚ÄėHelter Skelter‚Äô¬†n√£o √© suficiente para voc√™ ter a mais absoluta certeza que os Beatles ajudaram e influenciaram o movimento Heavy Metal que estava se formando na √©poca (mesmo que seja apenas para sinalizar para ‚ÄėOzzy & Cia‚Äô, ‚ÄėGillan & Cia‚Äô e ‚ÄėPlant & Cia‚Äô que esse era um √≥timo caminho a ser seguido), por favor ou√ßa a m√ļsica¬†‚ÄėI Want You‚Äô¬†(que est√° no sensacional¬†‚ÄėAbbey Road‚Äô).

    √Č imposs√≠vel n√£o relacionar essa m√ļsica com o Black Sabbath. Na base dos √ļltimos 3 minutos da m√ļsica d√° at√© pra visualizar o Ozzy no meio do palco gritando¬†‚ÄúLet‚Äôs get fuckin‚Äô crazy !!!!‚ÄĚ

    √Č isso. O peso aumentou. As bandas mudaram. Mas de Beatles √† Cannibal Corpse, o esp√≠rito sempre foi o mesmo.

    Parab√©ns se voc√™ tamb√©m √© um ‚Äúrebelde‚ÄĚ at√© hoje.

    Bem galera por hoje é isso, termino deixando alguns vídeos de algumas das bandas citadas, mantendo vivo e cheio de vitalidade do verdadeiro ROCK AND ROLL!

    The Beatles – I Want You (Rooftop 1969).

    http://www.youtube.com/watch?v=x4CzqrPZtXk

    Slayer – Black Magic.

    Krisiun – Combustion Inferno.

    Cannibal Corpse – Priests Of Sodom .

    http://www.youtube.com/watch?v=Nry5zSJxG9k

    Tenham todos uma ótima tarde e até a próxima.

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