Itaiópolis é o quinto em maior extensão territorial com mais de 1.295 quilômetros quadrados dos 293 municípios que compõem o estado catarinense. A origem do nome “Itaiópolis” pode ser explicada como sendo um hibridismo tupi-grego, no qual a última parte (polis) significa “cidade” e (Itaió) se compõe de “i” água, rio e “Taió”, que procede de “Ita”, pedra, e “ho” aumentativo

O município de Itaiópolis completa hoje, dia 28 de outubro, 92 anos de história. São nove décadas de lutas, conquistas e vitórias desse município que é mais um dos 293 que compõem o estado catarinense. Itaiópolis é o quinto em maior extensão territorial com mais de 1.295 quilômetros quadrados. Com temperatura média de 16 graus, durante o ano inteiro, o município desponta na produção de tabaco, grãos como soja e milho e na produção de peras, citricultura e aves de corte. São várias as culturas agrícolas no município e pelo menos 70% de todo o movimento financeiro, que é arrecadação do município provém da agricultura.

Considerada por muitos especialistas como a “menina dos olhos” do planalto norte do estado, o município atraiu grandes investimentos, como é o caso do frigorifico americano Tyson e a empresa Brasileira de Compressores (Embraco). Juntas, empregam mais de 1,5 mil trabalhadores. Na atividade têxtil o município também é lembrado, pelas malharias que por aqui operam. A suinocultura, bovinocultura e o gado de leite também fazem parte da economia municipal. Todas as atividades da área agrícola são, em tese, resquícios de culturas colonizadoras, oriundas, especialmente, do Leste Europeu como é o caso dos imigrantes poloneses e ucranianos.

Em Itaiópolis, pelo menos, existem 2,6 mil propriedades rurais que somam uma área de mais de 83 mil hectares. Dessa área, 29 mil hectares são de culturas temporárias. Na safra desse ano, cerca de 1,4 mil produtores estão produzindo milho, para a produção de feijão são mais 400 agricultores e soja 26.

Desbravando o turismo religioso, com monumentos típicos da cultura européia, que são as igrejas no formato bizantino, o município explora, timidamente, o turismo rural, com suas belas paisagens naturais. São dezenas de cachoeiras e cavernas, próprias para passeios e a pratica de esportes de alta adrenalina. Das estruturas de estado, mínimas, Itaiópolis conta com a composição do poder Executivo, Legislativo e Judiciário. Ainda, fazem parte da estrutura o trabalho indispensável da polícia militar e civil e do corpo de Bombeiros Voluntários, que há mais de 15 anos presta bons serviços a toda a sociedade. Alvo de intempéries climáticas, como vendaval e granizo, o município tem o órgão de defesa civil, que também presta assistência a população.

As comemorações ao aniversário iniciaram no dia 24 e seguiu durante semana com entrega de obras executadas pela Prefeitura. No dia de hoje haverá corrida rústica e desfile cívico no município. Na sexta, dia 29, abertura oficial da Itafest que segue no sábado dia 30 também. O evento será realizado no pátio da igreja Matriz Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, no centro da cidade.

Itaiópolis: aspectos gerais e os primeiros imigrantes

O município de Itaiópolis situa-se no planalto norte do estado de Santa Catarina, no centro geográfico da região sul do Brasil. Atualmente conta com uma população de 20. 181 mil habitantes e com uma área territorial de 1.295,8 km². Faz limite geográfico com os municípios de Mafra, Papanduva, Santa Terezinha, Vitor Meireles, José Boiteux e Doutor Pedrinho. Sua altitude é de 920 metros acima do nível do mar, com uma temperatura média de 16,7º C.

O povoamento do município ocorreu no inicio da República. Até antão os primeiros moradores se concentravam na Colônia Lucena. Oficialmente Itaiópolis foi “regularizada” pela Lei Estadual de SC, nº 1.220, de 28/10/1918. Têm-se os registros que no ano de 1891 chegaram os primeiros imigrantes de origem Inglesa, alguns poloneses e russos.

Com as correntes migratórias o território itaiopolense foi sendo construído. Comunidades interioranas como Iracema é um exemplo da influência arquitetônica e cultural que o município recebeu. Numa abordagem mais holística podemos dizer que a geografia do município é acidentada, sendo composta de morros, com pequenas planícies.

Itaiópolis – 92 anos de história

Constam que, em 1889, as terras do município de Itaiópolis já eram ocupadas pelas famílias de João Reichardt, José Wiergenovski e João Becker.

Em 1853, por lei geral de 29 de agosto, a Comarca de Curitiba foi elevada a categoria de Província do Paraná, por desmembramento de área da parte meridional da província de São Paulo. Em razão de a última ter reivindicado em épocas anteriores, embora sem êxito, a fixação de seus limites ao sul na altura do rio Uruguai, a nova província pretendeu manter seu domínio até ali. Mas tal pretensão logo foi contestada, como sucedera também em outras ocasiões, pelo governo catarinense, que baseou suas razões dentre outros nos seguintes fatos: a Carta Régia de 11 de agosto de 1738, que separou o território de Santa Catarina de São Paulo, e o Alvará Régio de 09 de setembro de 1820, que incorporou a vila de Lages e todo seu termo à capitania de Santa Catarina.

A partir daí, ambas as províncias passaram a arrolar razões que fundamentavam seus alegados direitos à posse das terras que passaram a ser conhecidas por “área contestada” ou simplesmente “o contestado”. A pendência desenvolveu-se, após 1853, ao sabor de lentos acontecimentos políticos, discutida sempre sem resultado definitivo nas assembléias legislativas das duas províncias e no Congresso Nacional.

Nessa época, a área em questão continuava praticamente inexplorada e coberta com a primitiva e vasta floresta, apenas cortada por trilhas de tropeiros, aberta no século XVII. Com o propósito de construir via de comunicação entre São Paulo e Viamão, no atual Estado do Rio Grande do Sul, informa Romário Martins (cf. “História do Paraná”, 3ª ed., p. 153).

O governador daquela capitania, Antônio da Silva Caldeira Pimentel, confiara à realização de uma “bandeira” a Manoel Rodrigues da Mota, que, às expensas suas e após quatro anos de trabalhos, abriu o trecho de tal estrada entre Curitiba e os campos de Lages.

Esse caminho ajudou sobremaneira o comércio de gado entre o Rio Grande do Sul e São Paulo, a movimentação de tropas regulares de milícia entre esta cidade e o sul e o subsequente povoamento do território aí compreendido. Era conhecido no princípio, afirma o citado historiador paranaense, como “Estrada do Mota”, denominação que facilmente se alterou, pouco depois, para “Estrada da Mata”, porque do Rio Negro para o sul atravessava, como já se notou, região intensamente florestada. Vindo do Campo do Tenente, ela passava, por exemplo, pela localidade de Contagem (hoje em território de Itaiópolis) e subia a serra do espigão em demanda de Capão Alto, em Lages, de onde prosseguia para o sul.

Admite-se, portanto, que, como ocorreu em relação a outros municípios do planalto catarinense, o povoamento inicial das terras onde se localiza Itaiópolis se deve ao surgimento, em trechos da “Estrada da Mata”, de lugares de passagem e de pouso de tropas militares e de tropas de gado, conduzidas ao sul em demanda de São Paulo ou da feira de Sorocaba. São apontadas, como indicio dessa incipiente formação urbana (cf. a apostila “Integração Social Itaiópolis”, pág. 106), as localidades de Contagem, Estiva, Campo da Estiva e Rio da Estiva, cujas denominações lembram a atividade tropeirística: a passagem (de pessoas, de gado e de animais de carga e montaria) por rios e córregos ou em região acidentada através de “estiva” (ponte tosca) ou “estivado”, e ao ato de conferência, ou contagem, em lugar apropriado, da quantidade de animais bovinos ou equinos conduzidos em viagem.

A colonização propriamente dita e dirigida do município ocorreu, porém, na região das nascentes do Rio da Lança e processou-se em várias etapas.

À falta de solução definitiva quanto à posse, legitima das terras correspondentes a “área contestada”, aí incluído o território que hoje constitui o município de Itaiópolis, no final do século passado elas ainda se encontravam sob o governo do Estado do Paraná e subordinadas à jurisdição do município de Rio Negro. Interessado em ocupar mais efetivamente e em dar desenvolvimento à vertente região, o Governo Federal, criou, em 1890, durante o período administrativo do Marechal Deodoro da Fonseca, no local onde se localiza hoje a sede municipal de Itaiópolis, a Colônia Federal Lucena.

Tal denominação encerra homenagem ao Barão de Lucena, Henrique Pereira de Lucena (1835-1913), político e magistrado brasileiro, nascido em Pernambuco. Formado pela Faculdade de Direito de Recife (1858), foi presidente das províncias de Pernambuco e Rio Grande do Norte, em 1872; da província da Bahia, em 1877, e da província do Rio Grande do Sul, em 1885. Amigo pessoal do Marechal Deodoro da Fonseca (do qual era compadre), desempenhou papel de relevância nos primeiros anos da República, tendo sido também Ministro da Fazenda, das Obras Públicas e da Justiça. Nos últimos anos de sua vida pública foi membro do Supremo Tribunal Federal.

Informa a respeito da Colônia Federal Lucena, o respeitado historiador catarinense Oswaldo Rodrigues Cabral (cf. “História de Santa Catarina” 2ª ed., p.327): “Os primeiros colonos chegaram em 1891 e eram de nacionalidade inglesa, ex-trabalhadores das fábricas de Londres, acrescidos de alguns polacos e russos. Em 1895, o governo passou para o Estado do Paraná os encargos da mesma desistindo dos serviços de colonização da zona. Sob a direção do Estado foram, então, encaminhadas para o núcleo algumas famílias rutenas, idas de São Paulo e já afeitas à vida agrícola. Dois anos mais tarde, uma nova remessa se fez, contando-se também elementos de origem polonesa. Além destes, pela mesma época, se localizaram em Lucena muitos alemães que haviam saído de São Bento, aumentando assim a sua população.”

Data daí o desenvolvimento na colonização, de tal modo que, por volta de 1903, o povoado era elevado à categoria de distrito do município de Rio Negro; e poucos anos depois, o distrito já apresentava condições de capacidade para a vida autônoma, como município.

Coincidiu tal fase de povoamento com o surgimento de decisão jurídica sobre o território em litígio. Em 1901, o governo de Santa Catarina reivindicou a posse legitima da “área contestada” em ação judicial apresentada ao Supremo Tribunal Federal. Este, em decisão de 06 de julho de 1904, deu ganho de causa a Santa Catarina, decisão que foi confirmada em 1909 e em 1910, após dois embargos apresentados pelo Paraná, não havendo, todavia, ela sido prontamente cumprida.

Criação da Colônia Lucena

Em 18 de março de 1909, pela Lei Estadual do Paraná nº 850, foi criado, com sede na Colônia Lucena e território desmembrado da área de Rio Negro, município com a denominação de Itaiópolis, instalado a 1º de julho de mesmo ano, cuja instalação foi procedida pelo tenente coronel Felipe Küchler, presidente da Câmara Municipal de Rio Negro.

Por ordem do governador do Estado do Paraná, doutor Francisco Xavier da Silva, através do oficio 1.131, de 19 de junho de 1909, constituiu-se a Primeira Câmara Municipal, com os camaristas: Henrique Köening, José Wiergenovski, João Reichardt, Mathias Pieczarka, Leonardo Becker e José Pscheidt. Tendo sido eleito primeiro prefeito Estanislau Procopiak (Apostila Integração Social – Itaiópolis Crescendo com Você, pág. 107).

Em 26 de maio de 1917, em virtude do acordo de limites assinado no ano precedente (em 20 de outubro) entre o Estado de Santa Catarina e Paraná, por decreto deste, o município foi suprimido.

Em 07 de setembro de 1917, Santa Catarina entrava na posse efetiva das terras que lhe couberam pela decisão do Supremo Tribunal Federal e o território correspondente ao município extinto ficou fazendo parte do município catarinense de Mafra, criado a época. Ainda em 1917, pela Lei Municipal nº 3, de 02 de outubro, do município de Mafra, era criado outra vez o distrito de Itaiópolis, cuja instalação ocorreu em novembro do mesmo ano.

Lei cria município por mais uma vez

O município de Itaiópolis foi novamente criado, pela Lei Estadual nº 1.220, de 28 de outubro de 1918 e instalado a 1º de janeiro do ano seguinte, sendo Governador do Estado, Hercílio Pedro da Luz.

Expressiva foi, ao longo dos anos, a contribuição dada tanto ao desenvolvimento como as tradições religiosas e culinárias do município em particular pelos imigrantes de origem polonesa, ucraniana e alemã.

Pelo decreto municipal nº 717, de 14 de janeiro de 1935, foram criados os distritos de Itaió e Iraputã, sendo o prefeito municipal Germano Wünsche.

A comarca de Itaiópolis foi criada em 1954 e instalada a 14 de maio de 1956, abrangendo os municípios de Itaiópolis, Papanduva e Monte Castelo.

Pela Lei Municipal nº 29/78, de 28 de junho de 1978, sendo prefeito Francisco Linzmeyer, modificado pela lei municipal nº 003/82, de 11 de março de 1982, prefeito Damião Panchniak, homologado pela lei estadual nº 6.062, de 13 de maio de 1982, foi criado o Distrito de Santa Terezinha, instalado em 14 de setembro de 1984, através do Decreto nº 071/084, pelo então prefeito municipal Alceu Gaio.

Pela Lei Estadual nº 8.349, de 26 de setembro de 1991, foi criado o município de Santa Terezinha, desmembrado do território de Itaiópolis.

A origem do nome “Itaiópolis” pode ser explicada como sendo um hibridismo tupi-grego, no qual a última parte (polis) significa “cidade” e (Itaió) se compõe de “i” água, rio e “Taió”, que procede de “Ita”, pedra, e “ho” aumentativo. Há diferentes interpretações sobre o significado exato da palavra indígena “taió” ou “itaió”, embora não haja dúvidas de que, na denominação do município (adotada em 1909), ela contenha evidente referência ao pico do Taió, elevação natural cujas características físicas marcaram de modo notável o perfil topográfico do planalto, pois se destaca como um marco inconfundível na paisagem plana. Esse pico, que durante décadas esteve localizado em solo itaiopolense, por força da criação do novo município e do consequente desmembramento de sua área territorial, pertence hoje ao município de Santa Terezinha.