O estádio, o batalhão e a localidade: curiosas semelhanças

Por Fábio Reimão de Mello - 20/06/2013

A história é uma coisa muito bacana, ela não só nos ensina sobre o passado, como mostra como e porque determinados fatos aconteceram e ainda, a influência que os mesmos exercem em nosso dia-a-dia, o que geralmente temos apenas vago conhecimento.

Algo interessante em se estudar o passado também é perceber que fatos, aparentemente distintos, distantes e desconexos, podem possuir ligações ou semelhanças.

Curiosidades como a que pode ser vista ao tentarmos explicar quais as coincidências existentes entre uma unidade do Exército bem conhecida em Riomafra, uma localidade do interior mafrense e um estádio de futebol em Curitiba, ou então, sendo mais direto: O Batalhão Mauá, a localidade de General Brito e o estádio da Vila Capanema que pertence ao Paraná Clube.

1 – O 2º Batalhão Ferroviário ou Batalhão Mauá foi uma Unidade de Engenharia do Exército, criada em Rio Negro em 1938, com a responsabilidade de construir o trecho da grande obra ferroviária chamada Tronca Principal Sul, entre as cidades de Mafra e Lages. Quando a tarefa foi cumprida, em 1965, o Batalhão foi transferido para a cidade de Araquari em Minas Gerais.

2 – Seguindo o caminho das águas do rio Negro rumo à Leste ou então, deixando o centro de nossas cidades, passando pelo São Lourenço e Ribeirãozinho chegamos a pequena localidade de General Brito, um lugar tranquilo, de gente trabalhadora, onde a atividade agrícola é predominante.

3 – Facilmente avistada por quem segue do Prado Velho para o centro da capital paranaense, passando pela Pontifícia Universidade Católica – PUC. A Vila Capanema é um estádio já antigo, construído na década de 1940, ocasião em que era o 2º maior estádio do país (perdendo somente para São Januário no Rio de Janeiro) e, que recebeu anos depois, jogos da Copa do Mundo de 1950. Tendo surgido da fusão de dois times (Colorado e Pinheiros) em 1989, o Paraná Clube herdou o estádio de um dos seus entes formadores, o Colorado Esporte Clube.

Se ainda uma ligação entre o Batalhão, a localidade e o estádio ainda é difícil de ser percebida, vejamos algumas outras informações:

Assim como o Paraná Clube surgiu da união de dois clubes, o Colorado também havia sido criado da fusão de antigas Associações, sendo uma delas o Clube Atlético Ferroviário, dono inicial da Vila Capanema, que fora erguida para congregar funcionários e operários da Rede Viação Paraná-Santa Catarina – RVPSC e, que recebeu e ainda mantém, o nome oficial de “Estádio Durival Britto e Silva”.

Durival Britto e Silva que, como Tenente-Coronel, comandou o 2º Batalhão Ferroviário em Rio Negro, por um de apenas 45 dias, entre dezembro de 1939 e janeiro de 1940. Tal brevidade de comando dada devido à nomeação de o referido militar como Diretor-Superintendente da RVPSC. Função na qual realizou o processo de modernização das ferrovias de nossos estados, com a utilização de locomotivas à diesel e a criação das escolas profissionais.

E, em relação à localidade de General Britto, só resta saber que ela é cortada pela estrada de ferro construída como prolongamento até Três Barras da chamada linha São Francisco em 1913 e que, tendo nome inicial de Turvo foi renomeada em 1971 (Lei nº. 735) em homenagem ao ex-comandante do Batalhão Mauá e administrador da RVPSC.

Assim, estádio, unidade militar e localidade possuem uma unidade simbólica tanto pelos trilhos das estradas de ferro (construídas pelo batalhão, administradas pela RVPSC – origem do Colorado e consequentemente do estádio e, que também cortam a localidade) e pelo nome que ostentam ou que figura em sua história.

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