RFFSA: Patrim√īnio da Uni√£o em ru√≠nas

Publicado por Gazeta de Itaiópolis - 01/06/2012 - 21h57

Quase todas as casas das tr√™s esta√ß√Ķes localizadas no munic√≠pio de Itai√≥polis e que pertencem a Rede Ferrovi√°ria est√£o em ru√≠nas, ou foram invadidas

Um patrim√īnio da Uni√£o em ru√≠nas. Das tr√™s esta√ß√Ķes da antiga Rede Ferrovi√°ria Federal (RFFSA), a que est√° mais preservada √© a do KM 34, no bairro Lucena, em Itai√≥polis. A Gazeta de Itai√≥polis fez uma viagem de regresso ao passado, na d√©cada de 50, e visitou as instala√ß√Ķes da hoje extinta Rede Ferrovi√°ria.

Nossa primeira parada foi o KM 21, na divisa com o munic√≠pio de Mafra. O que vimos impressiona. A riqueza nas edifica√ß√Ķes, ou seja, as casas onde viviam os oper√°rios da RFFSA. Os im√≥veis foram constru√≠dos simetricamente. As casas, para a √©poca, tinham laje em concreto, paredes espessas, telhado franc√™s e at√© forno de assar p√£o.

O sistema de abastecimento de √°gua pot√°vel da √©poca de cria√ß√£o da RFFSA em 1957 funciona at√© hoje e mata a sede de moradores que invadiram o patrim√īnio da Uni√£o. A √°gua √© captada num reservat√≥rio e por uma bomba chega √†s oito casas da esta√ß√£o do KM 21. O reservat√≥rio em concreto, da √©poca em que os oper√°rios ocupavam as instala√ß√Ķes est√° desativado. Restaram apenas os canos em metal galvanizado e carca√ßa em concreto.

A estação, local onde servia de embarque para trabalhadores nas locomotivas está completamente destruída. O imóvel não tem janelas ou portas. Parte da estrutura de tijolos e concreto está desabando. As paredes foram pichadas. Uma riqueza e um investimento milionário do Governo Federal agora espera ruir com o próprio passar do tempo.

Apenas a estrada de ferro, por onde passam locomotivas de carga e de manutenção está ativa, sendo usada pela América Latina Logística (ALL). A estação do KM 21 é composta por oito casas e mais um imóvel onde funcionava uma escola, para os filhos dos operários da antiga Rede Ferroviária.

Muitas das casas n√£o t√™m energia el√©trica, nem portas, nem janelas e parte do telhado foram subtra√≠das por posseiros que sa√≠ram do im√≥vel. A √ļnica coisa que permanece intacta na frente dos im√≥veis √© o bras√£o da antiga Rede Ferrovi√°ria. Das oito casas da esta√ß√£o do KM 21 pelo menos cinco s√£o habitadas.

Hoje, aos fundos dos imóveis existe uma floresta de bambu, que é utilizada pelos moradores como alternativa de demarcação de divisas, as conhecidas cercas. Alguns dos moradores disseram que moram nas casas há nove anos. As famílias entram e saem a toda hora. Não existe documento de propriedade e alguns moradores temem ser despejados.

Dona Rosalina Carvalho de Oliveira, de 62 anos, é um dos casos. A mulher disse que foi morar em um dos imóveis a cerca de um ano. Ela cuida da mãe, uma senhora de 90 anos, que era esposa de um ferroviário, que exercia a função de maquinista da antiga RFFSA. Rosalina disse que gosta da vida e do sossego no local, que faz parte da área rural. Ela acredita que não será despejada, pois o pai tinha ligação de trabalho com a Rede Ferroviária.

Os demais moradores são famílias vulneráveis, que ocuparam as casas por falta de opção e força do destino. Eles não têm muitas escolhas. O jeito é esperar e torcer para que não haja intervenção e os imóveis não sejam reintegrados ao uso da União ou da concessionária que administra a estrada de ferro, a ALL. A estação localizada na comunidade de São João, em Itaiópolis, não foi visitada pela nossa reportagem.

História da Rede Ferroviária Federal

A Rede Ferrovi√°ria Federal Sociedade An√īnima (RFFSA) foi uma empresa estatal brasileira de transporte ferrovi√°rio que cobria boa parte do territ√≥rio brasileiro e tinha sua sede na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Criada em 1957 reunia 18 ferrovias regionais, e tinha como intuito promover e gerir o desenvolvimento no setor de transportes ferrovi√°rios. Seus servi√ßos estenderam-se por 40 anos antes de sua desestatiza√ß√£o, promovida pelo ent√£o presidente Fernando Henrique Cardoso, operando em quatro das cinco regi√Ķes brasileiras, em 19 unidades da federa√ß√£o. A RFFSA existiu por 50 anos e 76 dias, sendo oficialmente extinta por for√ßa da Medida Provis√≥ria n¬ļ 353, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei Federal n¬ļ 11.483, de 31de maio de 2007.

Privatização e liquidação

A privatiza√ß√£o foi uma das alternativas para retomar os investimentos no setor ferrovi√°rio. O governo de Fernando Henrique Cardoso concedeu linhas p√ļblicas para que a iniciativa privada pudesse explorar o transporte de cargas. No entanto, as concession√°rias n√£o se interessaram pelo transporte de passageiros, que foi quase totalmente extinto no Brasil. A liquida√ß√£o foi iniciada em 17 de dezembro de 1999, por delibera√ß√£o da Assembleia Geral dos Acionistas, sendo definitivamente extinta pela Lei Federal n¬ļ 11.483, de 31de maio de 2007 j√° no governo Lula.

Est√° em processo de privatiza√ß√£o, sendo a transfer√™ncia da malha existente (22 mil quil√īmetros de linhas ‚Äď 1996 ‚Äď correspondente a 73% do total nacional) para a iniciativa privada, entre 1996 ‚Äď 98, dando origem a receitas para o governo federal de cerca de R$ 1,764 bilh√£o. A concess√£o de 30 anos estabelece metas de aumento do volume transportado, moderniza√ß√£o e expans√£o do sistema. As novas operadoras dever√£o investir R$ 3,8 bilh√Ķes durante o tempo que perdurar o contrato.

O objetivo maior de pass√°-la para o setor privado foi o de acabar com gargalos na infraestrutura do setor ferrovi√°rio no pa√≠s, devido √† falta de capacidade de investimento do Estado na √©poca e a imprensa fez explana√ß√Ķes que supostamente havia press√Ķes de interesses do neoliberalismo.

América Latina Logística (ALL)

A ALL √© uma empresa de log√≠stica da America do Sul e companhia ferrovi√°ria do Brasil. Fundada em 1997, a ALL possui uma malha de 21.300 Km de extens√£o, que abrange os estados do Paran√°, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, S√£o Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, no Brasil, e as regi√Ķes de Paso de los Libres, Buenos Aires e Mendoza, na Argentina.

A companhia opera de forma integrada nos setores ferrovi√°rio e rodovi√°rio uma frota de 1.070 locomotivas, 31 mil vag√Ķes e mil caminh√Ķes, entre pr√≥prios e agregados, e conta com unidades localizadas em pontos estrat√©gicos para embarque e desembarque de carga. Com 8.470 colaboradores diretos, entre pr√≥prios e terceiros, e 25 mil indiretos, distribu√≠dos por mais de 30 unidades em seis estados do pa√≠s, a ALL atua em tr√™s segmentos de neg√≥cios no transporte ferrovi√°rio: commodities agr√≠colas, combust√≠veis e produtos industrializados.

Fundada em 1997, como Ferrovia Sul Atl√Ęntico, a America Latina Log√≠stica (ALL) foi uma das tr√™s companhias a assumir os servi√ßos ferrovi√°rios no Brasil ap√≥s o processo de privatiza√ß√£o do setor. Em 2010 a ALL opera a mais extensa malha ferrovi√°ria da America do Sul, sendo detentora de concess√Ķes em uma √°rea de cobertura que alcan√ßa 75% do PIB do Mercosul, por onde passam 78% das exporta√ß√Ķes de gr√£os da regi√£o rumo a sete dos principais portos instalados no Brasil e Argentina. Em territ√≥rio nacional opera quase 16 mil dos mais de 29 mil Km de linhas f√©rreas existentes no pa√≠s.

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