Nicolau Bley Netto: “soldado, político e empresário”

Mais do que detentor de uma apurada visão de futuro para os negócios, pioneiro da telefonia e um dos responsáveis pelo fim de era dos lampiões à querosene em Riomafra, Nicolau Bley Netto, ocupou uma cadeira na Assembléia Legislativa e, como integrante da Guarda Nacional lutou, no real sentido da palavra, contra Maragatos durante a Revolução Federalista, chegando a comandar um batalhão de mais de 250 homens na Guerra do Contestado.

Por Fábio Reimão de Mello - 22/11/2012

Filho de João Bley e Maria Grein Bley, Nicolau nasceu em 1870 e não só acompanhou os primeiros passos do município de Rio Negro, criado naquele mesmo ano (assim como Mafra, a partir de 1917), como teve participação ativa e direta em alguns dos episódios mais marcantes da história de Riomafra.

Descendente de imigrantes alemães, Nicolau Bley Netto participou de forma efetiva de dois dos principais episódios militares de nosso passado, em ambos casos, como integrante da Guarda Nacional (organização composta por civis, convocada para apoio ao exército em ocasiões turbulentas, conflituosas):  Em novembro de 1893, aos 23 anos e com o posto de Tenente, Nicolau fez parte dos combates travados em Riomafra durante a Revolução Federalista contra as tropas revolucionárias Maragatas e; entre 1914 e 1916, já como Coronel (posto  pelo qual é conhecido até os dias de hoje), comandou um batalhão de mais de 250 homens durante a Guerra do Contestado, grupo empregado, juntamente com forças do exército regular, no cerco à área do conflito e que, entre outras atuações, destaca-se o apoio ao ataque ao reduto de Tavares na região de Canoinhas.

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No campo político, Nicolau foi membro da Diretoria do Partido Republicano Catarinense, tendo exercido a função de Deputado ao Congresso Legislativo do Estado de Santa Catarina (Deputado Estadual) entre 1926 e 1929, atuação à qual se credita os esforços que possibilitaram a instalação do serviço de telegrafia em Mafra a partir de 1929.

Mas foi, no início do século passado, em uma época em que a iluminação residencial, assim como a pública de Riomafra era movida a querosene, combustível que abastecia os lampiões de uns poucos postes instalados nas principais ruas e praças da cidade e, quando as comunicações ainda representavam algo distante da realidade local, que Bley Netto como empresário, demonstrou ser detentor de uma apurada visão de futuro para o empreendedorismo, tendo não somente iniciativa como aproveitando o mercado que se abria naquela época: Instalou em sua residência o primeiro aparelho telefônico da cidade (1908), que apesar de altamente tecnológico naquele momento histórico, era completamente limitado para os padrões atuais, permitindo a comunicação com outro aparelho próximo, este instalado na residência de Henrique Stalke, em Campo do Tenente. E foi mostrando a importância daquele aparelho, assim como o emprego da energia elétrica tanto de forma residencial quanto pública, que Nicolau criou a Empresa de Eletricidade, Luz, Força e Telefones (1910), que passou a fornecer seus serviços ao município, revestindo de sucesso o empreendimento e também, permitindo o desenvolvimento local.

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