Protesto de caminhoneiros chegou ao fim nas rodovias

Por Gazeta de Riomafra - 01/06/2018

A paralisação dos caminhoneiros, iniciada no último dia 21 (segunda-feira), em Mafra e na região do planalto norte, foi até a tarde desta quarta-feira (30), quando equipes do Exército, da Polícia Militar, Polícia Civil e da Polícia Rodoviária Federal foram até o local com um mandado de segurança que determinava que a rodovia fosse liberada em 2 horas.

No momento que a desmobilização já havia iniciada, uma manifestação ocupou a BR-116 e seguiu sentindo ao centro da greve no Posto Mallon gritando palavra de ordem: “Fica caminhão a greve deve continuar”, “Não queremos a desmobilização”, “Fora Temer”, no apoio e na tentativa impedir o fim do movimento.

Os manifestantes vieram do centro das cidades de Rio Negro e Mafra, onde se juntaram na praça dos Correios (Miguel Bielecki), seguindo pela rua Felipe Schimdt com destino até o Posto Mallon.

A manifestação popular gerou grande surpresa e apreensão, ao mesmo tempo comoção dos caminhoneiros e a outros cidadãos que estavam no local com a pista sendo tomada pelos manifestantes bloqueando a passagem da BR-116 novamente. Estudantes e jovens sentarem na rodovia com suas bandeiras, cartazes e faixas protestando em favor da greve não permitindo que a pista fosse novamente liberada pelas forças de segurança.

Um dos momentos de tensão foi quando alguns caminhoneiros começaram a discutir entre si, a favor da continuidade e aqueles que queriam seguir viagem. Quando necessitou a intervenção da PM e da PRF que controlavam os princípios de violência. Os caminhoneiros que seguiram viagem tiveram seus caminhões alvejados com ovos e frutas podres. Após uma nova negociação entre os manifestantes recém chegados e a PRF a rodovia foi liberada

As filas em ambos os sentidos da via eram quilométricas, somando os veículos e caminhões que já estavam em viajem e os que aqui estavam parados.

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Os agricultores mafrenses que apoiaram a greve desde seu primeiro dia, também retiraram o seu maquinário da rodovia, chegando ao fim a paralisação em Mafra, considerada uma das maiores da região sul do país. E ficou marcada pela resistência a desmobilização.

GREVE DESARTICULADA

O movimento dos caminhoneiros começou a ser desarticulado quando iniciou as ações em conjunto do Exército, PM, PC e PRF, que com uma liminar obrigando os grevistas a liberarem a pista. Antes de liberação em Mafra, outros pontos de bloqueio em Papanduva e Santa Cecília e no Paraná em Campo do Tenente e Mandirituba, já haviam sido desmobilizados, assim como no restante do estado. Isso fez com o que o movimento perdesse força e induzindo os caminhoneiros a seguirem viajem.
MOVIMENTO VAI FAZER AVALIAÇÃO

Os caminhoneiros ao deixarem os bloqueios diziam que uma avaliação será feita pela categoria nos próximos 30 dias, e caso o governo não tome nenhuma providência, o movimento pode ser retomado. Para que isso não ocorra, é preciso que o governo federal cumpra, no mínimo, os itens que já foram acertados: entre eles a redução do preço do diesel em R$ 0,46 por litro nas bombas por 60 dias, zerando PIS-Cofins; fim da cobrança de por eixo suspenso dos caminhões; e criação de valor mínimo para o frete. Outros itens levados a conhecimento do presidente da república, Michel Temer, ainda seguem na pauta dos caminhoneiros.

Porém, ontem cresceram os rumores de que uma nova paralisação possa ocorrer já nesta segunda-feira 04. Devido a insatisfação dos caminhoneiros que ainda não acreditam no cumprimento do proposto pelo governo.

ACIM, CDL E ACIRN PEDIRAM O FIM DOS PROTESTOS

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Indo na contramão do que desejava a população riomafrense, assim como boa parte de seus associados, a Associação Empresarial de Mafra (ACIM), Associação Comercial e Industrial de Rio Negro (ACIRN) e a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL de Mafra e Rio Negro) emitiram nota em conjunto pedindo cautela e o fim dos protestos.

Na nota as entidades de classe diz ter conhecimento de suas responsabilidades, muitas vezes na formação de opiniões. E, que “Não podemos fazer parte da chamada ‘massa de manobra’’. E é com esta preocupação que venho aos senhores que, dentro das atribuições que temos como empresários, e como cidadãos responsáveis, não replicar notícias de origem desconhecida, criadas com o intuito de aumentar polemicas e motivar a instalação de um caos. Neste momento, estamos pedindo a todos que voltem a normalidade. Temos que manter a ordem. Desejamos o reestabelecimento de nossas empresas, que tem um papel importante na distribuição de alimentos, de combustíveis e demais bens de consumo. Estamos preocupados com a segurança e saúde de todos.”

Encerrando a falando que o protesto deve ser feito no dia das eleições: “Vamos exercer nosso direito sim. Em 4 meses teremos novas eleições. Este sim, será o momento de mudança na história. De fazer valer nossa vontade. Está fora de cogitação qualquer manifestação contrária a ordem pública.”

Após a divulgação na nota, na tarde de quarta-feira, parte de população mafrense subiu a rua Felipe Schimdt em direção ao protesto dos caminhoneiros, momento que diversos comerciantes contrariando a recomendação da ACIM, ACIRN e CDL, fecharam seus estabelecimentos em favor do movimento dos caminhoneiros e se dirigiram pelas ruas de Riomafra até a concentração dos caminhoneiros na BR-116 em passeata.

Neste período tão conturbado a população Riomafrense mostrou mais uma vez o seu amadurecimento político e a sua voz nos protestos em favor dos caminhoneiros e pouco acreditam numa mudança do pais nas urnas, pois segundo alguns comerciantes e manifestantes, de nada irá mudar quem estiver lá no poder e no Congresso se a sociedade não exigir as mudanças necessárias agora.

Para grande parte da sociedade o resultado das urnas não irá mudar a situação do pais, que continuará da mesma forma, indiferente de quem seja o novo presidente, deputados e senadores.

GRUPO DE MANIFESTANTES IMPEDIU O REABASTECIMENTO DE VEÍCULOS EM RIO NEGRO

Na noite da última terça-feira 30, sabendo que chegaria combustível em dois postos de Rio Negro, vários manifestantes se dirigiram até estes postos e não permitiram mais o reabastecimento de veículos que aguardavam em fila quilométrica a vez de abastecer seus veículos.

A justificativa de tal ação, pelos manifestantes, se dá pelo enfraquecimento da greve dos caminhoneiros que tentaram sensibilizar e parar o pais na tentativa de frear o reajuste descontrolado dos combustíveis.

Segundo eles, “do que adianta alguns fazer greve, enquanto outros “correm para os postos” abastecerem seus veículos”? Entendem que abastecendo seus veículos neste momento de paralisação, estão satisfeitos com preços abusivos praticados pelo governo e que desta forma, o mesmo jamais irá fazer algo para reduzir o preço na bomba. Segundo eles, enquanto todos, salvo em caso de emergência, não deveriam abastecer como forma de protesto para também tentar baixar o preço da gasolina e do álcool. Concluíram que com esta atitude, parte da população enfraqueceu todo o movimento dos caminhoneiros que deveria ser estendido e continuado por toda a sociedade e que o Brasil perdeu uma grande chance de começar uma verdadeira mudança.

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