Pólen faz mal à saúde? Entenda sobre o pó amarelo que preocupou a população

Por Redação Click Riomafra - 27/08/2021

O tal “pó amarelo” avistado nas calçadas de Rio Negro e Mafra nesta semana está intrigando muitas pessoas.

Nesta quinta-feira (26), com a chuva breve que caiu em Riomafra, o tal pó ficou ainda mais visível. Muitas pessoas defenderam a ideia que ocorreu uma chuva ácida. Outras defenderam corretamente que era pólen, que é algo normal para a época.

Durante a semana, antes da chuva de hoje, muitas pessoas relataram que viram o “pozinho amarelo” pelas calçadas, vidros da casa ou do carro.

Informações da ND Mais:

Segundo Everton Wilner, biólogo e professor da Universidade do Contestado, em Mafra, o pó amarelo é o pólen dos pinus, árvores muito tradicionais na região por causa da forte indústria madeireira.

Everton explica que a “chuva de pólen” é algo comum, que acontece anualmente, mas que acabou chamando atenção neste ano por causa da falta de chuvas.

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“Nos outros anos, a liberação desse pólen não era tão visível porque vinha chuva e lavava tudo. Já neste ano, a gente está num período mais seco, choveu muito pouco e lavou o telhado das casas, ruas e calçadas, só que a água não escorreu e o pólen ficou concentrado nas poças”, conta.

Assim, quando a chuva passou, o pó amarelo acabou ficando visível nas poças d’água, chamando a atenção dos moradores. “Foi uma combinação de fatores, mas todo ano tem isso”, destaca Everton.

O biólogo explica que o pólen é a estrutura reprodutiva das plantas. Por isso, no período que antecede a primavera, o pólen dos pinus, parte reprodutiva masculina dessa planta, sai com o vento para entrar em outras árvores de estrutura feminina e possibilitar a reprodução.

Como também ocorre no caso de outras plantas, a polinização do pinus pode causar alguma irritação em quem tem alergia nos olhos ou rinite. Porém, de forma geral, o pó amarelo “misterioso” não causa nenhum mal à saúde.

Everton explica o que é o pó amarelo – Vídeo: Everton Wilner

PÓLEN

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O pólen é muito mais do que um “pozinho amarelo”. O pólen é a substância que faz as plantas produzirem sementes. As sementes dão origem a novas plantas. Tanto as plantas floríferas (que dão flores) como as coníferas (plantas cujas sementes nascem dentro de cones ou pinhas) produzem pólen. Um grão de pólen é tão pequeno que é mais fácil vê-lo com a ajuda de um microscópio.

O pólen é transportado de muitas maneiras. Ele pode ser carregado pelo vento, pela água ou por animais. Muitas plantas possuem flores perfumadas ou coloridas para atrair aves e insetos (especialmente abelhas). Esses animais procuram as flores para tomar um líquido doce chamado néctar. Enquanto o animal absorve o néctar, o pólen da flor se gruda no seu corpo. Quando as aves ou os insetos pousam em outras flores para se alimentar mais, transportam o pólen para elas.

Como estamos próximos da estação da primavera, este período do ano também é caracterizada pelo alto índice de umidade, tempo seco e pelo desabrochar de diversas espécies de flores – o que aumenta a concentração de partículas de pólen no ar. A junção do tempo com a polinização das flores, processo de reprodução em que grãos de pólen circulam em maior quantidade pelo ar, pode favorecer o surgimento e a também a piora de algumas condições, a exemplo de alergias.

Durante a semana, antes da chuva de hoje, muitas pessoas relataram que viram o “pozinho amarelo” pelas calçadas, vidros da casa ou do carro.

“É justamente o pólen no ar, somado à condição de tempo mais seco, que contribui para o aparecimento de reações alérgicas em adultos, crianças e até bebês”, explica Felipe Folco, pediatra e diretor médico da Cia. da Consulta.

A umidade relativa do ar está baixa na região devido à intensificação da massa de ar seco que atua no estado.

De acordo com o médico pneumologista da Secretaria de Estado da Saúde, Gilberto Ramos Sandin, a queda da umidade deixa as vias aéreas e mucosas mais ressecadas, principalmente em pessoas com doenças crônicas como asma e rinite. “A pessoa pode sentir também ardência e sensação de areia nos olhos. Tudo isso está relacionado com a época do ano”, relatou.

Para evitar ou minimizar a ocorrência de problemas de saúde, o médico chama a atenção para alguns cuidados importantes, como a ingestão de água, evitando bebidas diuréticas como café, refrigerantes e alguns chás. Sandrin também indica o uso de soro fisiológico para evitar o sangramento das narinas e ressecamento de outras mucosas, como boca e olhos. É ideal reduzir o consumo de alimentos com alto teor de sal, aumentando o de frutas e verduras, além de evitar a prática de exercícios físicos entre 10h e 17h.

O uso de bacias com água ou toalhas molhadas ajudam a aumentar a umidade de um ambiente. Umidificadores de ar também contribuem, mas Gilberto Sandin alerta que esses aparelhos requerem alguns cuidados. “O uso de umidificadores por muito tempo pode aumentar a proliferação de fungos no ambiente e, para quem já tem a predisposição genética para asma e bronquite, isso pode ser um fator de agravo da doença. Para quem quiser fazer o uso do umidificador antes de dormir, a dica é ligar duas ou três horas antes de dormir”, explicou.

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