VI Seminário de Prevenção ao Suicídio foi realizado em Mafra

Por Assessoria - 13/09/2019

Nos últimos dias a imprensa nacional vem abordando com maior intensidade o tema suicídio. Em programas de rede nacional de televisão, este assunto não tem sido considerado mais um tabu, mas um problema de saúde pública cada vez mais presente na sociedade. O dia 10, de setembro é considerado o “Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio” e em Mafra aconteceu neste mesmo dia o “VI Seminário de Prevenção ao Suicídio”, no auditório do Sicoob, durante o dia todo. O evento foi organizado pela Secretaria Municipal de Saúde, e reuniu profissionais de saúde do município, bombeiros militares e voluntários de Mafra e Rio Negro, policiais militares, civis e rodoviários, representantes do exército brasileiro, de serviços de saúde da CIR (Comissão Intergestores Regional – composta por 13 municípios), conselhos municipais, educadores, líderes religiosos, estudantes e representantes de diversos setores da sociedade civil organizada.

DEBATENDO O TEMA

As boas-vindas foram dadas pela assistente social Ariane Woehl, uma das organizadoras do evento, que também abriu oficialmente o seminário. A secretária de Saúde Jaqueline Previatti Veiga, representando na ocasião o prefeito Wellignton Bielecki, saudou os presentes, agradecendo toda a equipe organizadora, destacando ainda a importância do evento para quebrar preconceitos e permitir o diálogo aberto sobre o tema. “Nesta sexta edição conseguimos, pela primeira vez, realizar o seminário exatamente no Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, o que contribui ainda mais para a difusão das informações que são tão importantes para a preservação da vida”, destacou.

Em seguida, representando os profissionais de saúde do município, a coordenadora do CAPS I, Adriana Moro, salientou a importância da discussão do assunto em várias esferas: “O Planalto Norte tem um histórico de suicídios. Todos os espaços são importantes para fazer a prevenção, principalmente envolvendo também escolas, clubes de serviço e toda a rede, para que o tratamento seja efetivo”.

A psicóloga Débora Popadiuk, outra organizadora do evento, apresentou o Panorama Atual do Suicídio no Município de Mafra e destacou que a prevenção “não é só uma questão da saúde, mas também da assistência, da segurança e da família. Com a grande presença da sociedade neste evento, Mafra mostra que quer estar aqui e que é preciso falar sobre o assunto”.

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Em seguida, o grande convidado do evento, Major Diógenes Martins Munhoz, começou a sua palestra – Abordagem Técnica a Tentativas de Suicídio – destacando o forte interesse pelo tema que Mafra e região apresentaram. “Vocês estão colocando a prevenção do suicídio em um patamar que poucas cidades têm”. Diógenes disse que vem realizando diversas palestras sobre o tema, “quase 10 a cada 15 dias”, mas que poucas vezes encontrou tanto interesse e predisposição para tratar de frente o assunto. Ele ainda elogiou Mafra por investir em qualificação para melhorar a escuta e o acolhimento em todos os pontos da Rede e da sociedade. A palestra do Major, que se iniciou na manhã, prosseguiu durante toda a tarde, sendo acompanhada com grande interesse pelos presentes do início ao fim. O major integra o Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo, é bacharel em Direito e Engenharia Civil com docência em resgate e salvamento terrestre e coordenador do curso de “abordagem técnica à tentativa de suicídio” da Escola Superior de Bombeiros, SP.

CONCLUSÕES

Para uma das organizadoras, este 6º seminário, continua trazendo bons retornos. “O evento foi de grande valia, pois não se falava em prevenção do suicídio com esta dimensão, como vem ocorrendo nos últimos anos. Promover este evento, no dia 10 de setembro – Dia Mundial de Prevenção do Suicídio -, dando luz a essa temática ‘Atenção à Crise Aguda’, com este nível de qualificação, com a participação do Major Diógenes Martins Munhoz, configurando mais de 300 pessoas de Mafra e região, foi uma demonstração de responsabilidade e comprometimento social da Secretaria Municipal de Saúde diante deste fenômeno complexo e multifatorial”, declarou Ariane. Ela, em nome da organização do evento, agradeceu a participação de todos. “Ficamos imensamente agradecidas pela efetiva participação dos convidados como: policiais militares, civis, rodoviários, bombeiros, representantes do 5º RCC, profissionais de saúde, educadores, líderes religiosos, profissionais da Atena, conselheiros municipais de Saúde, membros de Clubes de Serviços, acadêmicos, profissionais liberais, voluntários e acadêmicos, que continuarão desenvolvendo em suas rotinas um olhar mais cuidadoso e atento às pessoas em sofrimento mental.”

SUICÍDIO EM NÚMEROS

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 800 mil pessoas tiram a própria vida por ano. Em 2016, 79% dos suicídios ocorrem em países de baixa e média renda e o suicídio foi responsável por 1,4% de todas as mortes no mundo, tornando-se a 18ª causa de morte. E um dado alarmante: a cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio no mundo e a cada 3 segundos uma tenta.

BRASIL – 32 MORTES POR SUICÍDIO POR DIA

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No Brasil, de 2010 a 2015, constatou-se que o suicídio acontece em quase todo país. A região Sul concentra 23% dos suicídios do Brasil e 14% da população, enquanto o Sudeste concentra 38% e 42% da população.

De acordo com o Sistema de Informação de Mortalidade, 2017, 11 mil pessoas tiram a própria vida, por ano, em média. É a quarta maior causa de morte entre 15 e 29 anos, sendo a terceira maior para homens e a oitava maior causa para mulheres.

SINAIS DE ALERTA

Ficar atento a estes sinais demonstrados por amigos ou familiares pode fazer a diferença e ajudar a pessoa:

  • Mudança na personalidade, no hábito alimentar ou sono;
  • Comportamento retraído, dificuldade de relacionamento pessoal;
  • Odiar-se, sentimento de culpa, de se sentir sem valor ou com vergonha;
  • Uma perda recente importante – morte, divórcio, separação;
  • Frases como: “Não aguento mais …Sou um peso… Quero dormir e não acordar”…
  • Tristeza profunda, contínua e/ou falta de interesse no futuro;
  • Tentativas de suicídio anteriores e/ou história de suicídio na família;
  • Dependência química e/ou doença psíquica.

O QUE FAZER?

  • Ouvir, mostrar empatia e ficar calmo;
  • Ser afetuoso e dar apoio;
  • Levar a situação a sério e verificar o grau de risco;
  • Perguntar sobre tentativas anteriores e o plano de suicídio;
  • Explorar as outras saídas, além do suicídio;
  • Identificar outras formas de dar apoio emocional, sugerindo apoio na Comunidade;
  • Remover os meios pelos quais a pessoa possa se matar;
  • Se o risco é grande, não deixar a pessoa sozinha.

ONDE ENCONTRAR AJUDA?

Existem diversas formas de se buscar ajuda, orientação, ou conselhos no caso de problemas relacionados ao suicídio. Família, amigos e colegas, igreja, trabalho e grupos de convivência são algumas opções.

A ajuda também pode ser encontrada na Unidade de Saúde mais próxima, no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), através do telefona (47) 3642-5298 ou no Centro de Valorização da Vida – CVV, o acesso pode ser feito pelo site: www.cvv.com.br ou pelo número 188, a ligação é gratuita para qualquer linha de telefone fixo ou móvel.

Falar sobre o suicídio não faz com que a pessoa decida se matar, mas dá a ela a oportunidade de conversar sobre o seu sofrimento e assim obter ajuda.

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